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A chuva cai lá na terra
Simultaneamente as mãos gelam
Tudo gela na proximidade do Inverno
Inclusive o Sol ilustre
Tem dias que ninguém o chama
O povo sabe que fica a dormir
Depois surge a dar brilho ao céu azul planalto
E ao tilintar das botas nas pedras da calçada
A chuva cai também no relato
Vou recebendo notícias do estrangeiro
Da minha aldeia que preservo na memória
Contam-me também os movimentos e os afazeres
As disputas da velhice em cenário
À medida que a idade avança o encanto duplica
Porém, não diminui a noção de gosto e espaço
É crescente e cada um se define nas marcações
Como que a reivindicar cruzes ou marcos
Ainda que seja apenas a ocupação de um encosto de cadeira
Ou o levitar sobre as certezas do universo
A chuva cai lá na terra
E o tempo repete-se nas estações
É o coração que conta as horas
Do outro lado falam na escolha do almoço
E na falta que faz fulano ou sicrana
José Gomes Ferreira
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