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Com o ano 2025 a terminar não deixo de partilhar o meu desgosto face ao rumo da Humanidade. As guerras ficam quase na mesma, talvez a destruição de Gaza tenha parado, mas também só parou quando tudo estava destruído e a possibilidade de lucro na reconstrução justifica a paz ensanguentada. As preocupações ambientais e climáticas retrocederam. A minha preocupação não se resume ao insucesso da COP30, mas igualmente a ideia geral vinculada à adaptação. Tem muitos projectos bons e necessários. Aliás, a adaptação é urgente e necessária. Porém, temos muito na adaptação que lembra as utopias da modernização ecológica, no referente a uma transformação ampla da sociedade para concretizar a necessária reforma ambiental. Precisamos de metas e ambição, a adaptação é um ponto de partida. Mas a proposta é de fazer o que não foi feito em décadas e, ao mesmo tempo, dar uma ampla resposta aos possíveis impactos resultantes da ocorrência de eventos extremos. Esse desafio não peca só pela dificuldade em avançar com o enfrentar do passivo ambiental e climático. O grande dilema é que adaptação queremos? Receio que esteja focada em questões como infraestrutura, tecnologia e modernização do planeamento e implementação de políticas públicas. Ou seja, na modernização ecológica. Onde entram aí as dificuldades crónicas em fazer convergir as dimensões sociais, sempre dinâmicas e amplas, é uma questão sempre adiada. Os próprios movimentos sociais estão mais focados nas suas pautas que em trazer as dinâmicas sociais no sentido mais amplo. O novo ano vai colocar-nos rapidamente e, mais uma vez à prova, com previsão de agravamento desses eventos extremos em vários pontos do planeta, paralelamente a políticas elas próprias negacionistas e irresponsáveis.
Os negacionistas dizem claramente que a ciência é alarmista e que mente. O problema é que esses senhores e senhoras fazem é sobrepor a ideologia ao conhecimento. E nem precisa ser conhecimento científico, o saber empírico de pescadores, agricultores, pastores e outras profissões ligadas à terra e ao mar dá conta das rápidas transformações ocorridas em apenas três décadas. Sim, o planeta sempre teve ciclos de alterações climáticas, mas não ocorriam em 30 anos, levaram 3 ou 30 milhões de anos. Não agir agora é maltratar quem por cá ficar no futuro.

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publicado às 01:19


2 comentários

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De Anónimo a 07.12.2025 às 11:48

Para alguns os que pensam e não seguem o rebanho são negacionistas.
1. Não está provado que hajam alterações climáticas.
2. Uma alteração pode ser para melhor ou para pior. Mas para alguns só pode ser para pior.
3. Caso hajam alterações climáticas, quais as consequências e quando se vão sentir.
4. O certo é que eu não sinto qualquer consequência.
5. O mundo tem vários problemas graves e assim as ditas alterações climáticas mesmo se existirem nunca podem ser a prioridade.
6. Fala-se muito nas alterações climáticas porque interessa manipular criar diversões.
7. Acho que o eu que disse vai "cair em saco roto".
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De José a 07.12.2025 às 14:21

Não faço parte dos negacionistas, não apenas por militar no grupo de cientistas que discute o tema, mas igualmente por presenciar as alterações das últimas décadas, designadamente em contexto rural.
Claro que os impactos não são sentidos da mesma forma e haverá regiões do globo que vão ganhar com o problema, em particular próximo ao Polo Norte. Territórios que até aqui eram cobertas de gelo podem ser cultivadas e os minérios explorados.
O problema não é apenas ser contra ou a favor as alterações climáticas, mas agir na resposta. Agora as causas são apenas um dos aspectos, embora determinante no caso das acções de mitigação, mas aceitando ou não que estão a acontecer e têm mão humana é necessário intervir para reduzir os impactos.
Em boa verdade o negacionismo não tem argumentos, mas isso não significa que a ciência esteja no bom caminho. Por exemplo, tem claramente problemas de comunicação com o cidadão, dá prioridade ao que é mediático, ignorando o que é estrutural.

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