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Como diz o povo este ano de 2025 está a ser "um ar que lhe deu". Lá pelo meio foi uma aflição, felizmente tudo se resolveu e os dias têm continuado, cada vez mais rápidos e intensos, quem sabe a pedirem ponderação. Este a viajei para Curitiba e São Paulo, estive duas vezes em Portugal, morei metade do tempo em Campina Grande, a outra metade a Natal, com idas a Mossoró e duas vezes a Pau dos Ferros. A produção científica também foi muita, algumas coisas devem sair até ao fim de ano. O regresso à UFRN como professor visitante foi o facto mais marcante. Tenho escutado com atenção as vozes que me dizem que a vida não é só trabalho, o problema é que, além de gostar do que faço, necessito ganhar a vida. Qualquer reforma/aposentadoria que venha ainda leva tempo e o valor não será muito alto. O que mais constrange sempre é como acompanhar o envelhecimento da minha mãe, pois mesmo estando em contacto permanente nada substitui a presença e o cuidado. Quem leva vida de emigrante sabe o quanto custa a distância e a empatia da saudade. Nas palavras dos outros tudo parece fácil, mas cada um sabe de si. Se levo a vida com poesia não é por me interessar mais. É a minha forma de chegar, uma oração carregada de destino, sensibilidade e luta. Ter ultrapassado 60 anos em Fevereiro leva-me a mais ponderações, mas por agora este é o caminho. Apesar de todos dos apertos nada tenho que me leve a queixar-me, pelo contrário sinto-me grato pelo apoio nesta trajectória. Nada acontece por acaso e não estou só nesta luta, ainda que o meu percurso seja singularmente solitário. Mas tudo isso é um desígnio, uma porta que encontrei aberto, como o janela lá de casa, pequeno mas dá para enxergar a rua e o futuro.
Espero que no Natal sejam possíveis vários reencontros, se bem que tenho programação adicional, mas vai dar certo. Até lá a correria ainda vai ser muita. A aldeia da minha Beira Alta está sempre presente, tal como a memória e o afecto.
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