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A minha saudade

por José, em 27.12.23

A minha saudade é um trapézio
Um baloiço numa oliveira
O corpo proibido de se pendurar no portão
O escorrega na laje de granito
O corpo que aterra com o sonho de voar
A minha saudade é de água corrente
Um lameiro submerso na erva a crescer
A levada como orquestra da manhã que corre
A minha saudade é do aroma caseiro
Do azeite ainda quente nas vasilhas
A broa e os biscoitos acabados de fazer
E o soalho de madeira acabado de encerar
A minha saudade é dos cântaros cheios
E da família acabada de regressar

José Gomes Ferreira

* Uma nota breve sobre os cântaros cheios: fui criado pelos meus avós na aldeia, os meus pais eram emigrantes, lá em casa a minha avó era a única mulher, que dedicava os dias à vida na agricultura. Eu como mais novo ficava por vezes em casa para organizar algumas ditas tarefas domésticas, que incluía ir buscar água para beber e para um pequeno tanque. Agora tudo parece fácil, mas era ainda muito jovem, menos de 10 anos, e no Verão arranjar água não era tarefa fácil, ainda que nunca tenha faltado na aldeia.

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publicado às 20:42



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