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A gripe não me larga

por José, em 12.01.26

O frio congela-me os pensamentos
E ilude-me a erudição
Ainda me falam na rosa dos ventos
E no amor como paixão

Que descaramento é esse
Nesta gripe que não me larga
Não se esqueçam do meu interesse
E que não sou burro de carga

Neste estado mal me defendo
Só que não se iludam
Pois não me vendo
E não é com xaropes que me mudam

A voz pode andar embargada
E de noite não passa a hora
Caso não venham dizer nada
Não engasguem a voz que chora

José Gomes Ferreira

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publicado às 22:01

Cardápio

por José, em 12.01.26

Se não é batata é feijão
É tudo alimento no prato
Pode ser carne e pão
Razões para me sentir grato

Chamo a mim não apenas o sustento
Tenho muitos passos andados
Mesmo que siga também contra o vento
Deixo os planetas por si alinhados

Renovo-me em teus braços
Terra que garantes a existência
Ainda não conheço todos os espaços
Sigo junto da poesia e da ciência

Em todas as partes procuro paz
Troco até os sentimentos
Quero algo que ensine como se faz
E revele apenas os bons momentos

José Gomes Ferreira

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publicado às 20:27

Coração serrano

por José, em 12.01.26

Vivo na minha causa
Motivado pelos sentimentos
Observando não apenas a razão
Mas o que se liga em perpétua escolha

Quando os meus olhos se abrem
Mostram também o coração
A vida que tenho percorrido
Deixa uma inscrição na luz e na alma

Deixo tudo por amor
Só não me deixo ultrapassar
Gosto do silêncio da caminhada
E do colorido que não tem preço

A natureza é minha amante
É também quem mais me escuta
Nunca me deixa só
Com ela tenho escrito a minha história

A memória é também um incentivo
Não cobra correspondência
Traz à lembrança muitos acontecimentos
E as pessoas a quem reservo mais abraços

José Gomes Ferreira

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publicado às 19:59

Cordão de roupa

por José, em 10.01.26

Deixei a imaginação muitos dias pendurada no cordão da roupa
Desbotou na exposição ao Sol
Ficou rija nos movimentos do vento
E compenetrada nas diferenças de temperatura
Agora não sei como informar o coração
Tenho medo que não aguente na arritmia
Tantas vezes se seduz com os beijos que preenchem o pensamento
E com as narrativas elaboradas no tronco das oliveiras
É Inverno e eu quero muito percorrer os espelhos de gelo
As poças de água que cristalizam nos caminhos
E colocar neles não apenas um ecossistema
Mas civilizações inteiras de corpos luzídios
E amores disponíveis nos escaparates da montanha
Apetece abraçar o rio e inventar nova saudade
Gerar aproximações entre a fraqueza e a sensibilidade
Instantes com arrepio na espinha
E a voz de veludo de quem aponta ao cuidado
Volto ao cordão e chamo também a fantasia
Um dia o meu nome será pendurado no céu

José Gomes Ferreira

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publicado às 22:31

Cumprir o universo

por José, em 10.01.26

A empatia tem fronteiras
E geralmente é invertida
Negam-se a usar o que exigem
Não sou de pedir o que vai para além do que me é devido
Não é por isso que não sinto imposições
Quando não se tem poiso certo isso acontece
Podemos nos tornar até descartáveis
Sem direito a autonomia e caminho singular
Poderia falar de novo na estima
Pois nada é mais importante que o nosso lugar à mesa
Em particular nas decisões que até deveriam ser nossas
Tenho lutado muito, muita gente sabe
Tem sido uma luta sem rede
E em alguns momentos a rede é retirada
Não nasci num berço de ouro
Nem no balanço das estrelas
Paz é para mim sinónimo de felicidade
Não ambiciono nada de ninguém
O respeito e a escuta cumprem o universo
Tudo mais é conforto e soberba de dominação

José Gomes Ferreira

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publicado às 21:54

Estima

por José, em 09.01.26

Atiramos a felicidade para as conquistas materiais
E para a insaciadade do poder entre humanos
A utopia da riqueza expressa em dinheiro e dominação
Estamos tão enganados no viver esta vida passageira
A maior vitória que alcançamos é a da estima que nutrem por nós
E do reconhecimento do nosso papel na história cruzada
A inspiração que cativamos nos outros
Os versos que ficam na memória breve que construímos
E a própria luz reflectida nos nossos olhos
Essa constitui a estima perpétua e pilar da felicidade
Tudo mais é ganância e anseio por valorização

José Gomes Ferreira

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publicado às 21:35

Rio Lis

por José, em 08.01.26

O rio agora corre de invernia
É impossível esconder a chuva
Já se escondeu muita poluição
O maior caudal sempre foi motivo para descargas
Dizem que a culpa é das suiniculturas
Estou tentado a concordar
Resta saber se outros não se aproveitaram
Não é apenas água que corre
É a história que avança
E deixa a identidade da região marcada pela memória
E manchada pelas promessas dos governantes
Todos prometeram despoluir o rio
Passaram na região e destacaram-se nos jornais
Passaram décadas e a desconfiança não deixou bons sinais
Precisamos focar nas prioridades e acções
Um destaque público simula por vezes o que é prioritário
Andamos nisto para acreditar no interesse pelo problema
Sempre existiram muitos planos e estratégias
Quanto maior a complexidade mais planos
Quanto mais planos maior a escala
E o problema é reduzido na escala do país
Até parece que o rio não é um problema
Somente as descargas esporádicas mantêm o alerta
A bacia do Lis não é um problema de ontem
É um dano de hoje que cumpre inverter

José Gomes Ferreira

* passagem pelo Lis e Leiria para uma entrevista sobre os problemas de poluição, lembra o tempo que passei na região a estudar o tempo. Já passaram uns anitos, 10 dos quais passados no Brasil. 

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publicado às 17:36

Luz que em nós habita

por José, em 06.01.26

Pouco importa a minha devoção
Se ela existe e ganha destaque no caminho
Tão pouco a sintonia com quem discorda
Qualquer Deus é uma benção espiritual
E regozijo entre os crentes
O mesmo acontece com os não crentes
Pois não são despossuídos de Humanidade e dignidade
Os valores sociais são de integração, paz e solidariedade
Não falamos de matéria e disputa
Nem de destaque entre os homens
Apenas da luz que habita em cada um
E de como a estima supera o dogma
Ninguém se pode afirmar crente e apoiar a guerra
É necessário coerência entre a fidelidade e a opinião
É inaceitável a narrativa no passar do pano

José Gomes Ferreira

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publicado às 15:27

A Humanidade é possível

por José, em 06.01.26

Ainda se escutam os estalinhos na rua
E as estrelas reluzem em festa
Os sorrisos brindam com felicidade
A esperança efêmera verifica os corações
Ainda se soltam os abraços
O que define os laços é a solidariedade
E as histórias construídas juntos
Ainda somos levados a sonhar
Mesmo sem ser preciso rebolar
Sem o descanso nocturno dos corpos
E toda a física que enaltece os pensamentos
A Humanidade estrabucha de ansiedade
E a guerra que atravessa o alinhamento
Colocam-me de lado por ter opinião
E definir posições contra a febre das ditaduras
Apesar de tudo solta-se ainda a natureza
E o encanto pela vida agarrada à empatia
Ainda se escutam olhares que observam
No cuidado que somente os próximos conservam
E a brisa arrepia ao multiplicar o sentimento
Ainda se escolhe o amor como trajectória
E alicerce de narrativas futuras

José Gomes Ferreira

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publicado às 14:56

Frio

por José, em 05.01.26

Goteja na luz por instantes
Com cristais de gelo alma
O corpo treme de arrepio
Sopra um vento frio cortante

Os dias são de silêncio
E queixa da meteorologia
Os velhos aguentam mais
Eu continuo em recuperação

Escutam-se as conversas
E os lamentos pela vida
A geada também chega
Estende-se como tapete branco

O coração bate acelerado
O sangue segue quente
A vida ejecta-se no movimento
Já o amor amortece sem contacto

O rosto esconde-se atrás da máscara
Protege-se na primeira batalha
Os olhos brilham na caracterização
Testa-se o equilíbrio entre a paz e o encanto

José Gomes Ferreira

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publicado às 14:33

Acreditar

por José, em 04.01.26

Ainda acredito nos suspiros
Na ideia de um mundo igual
Assim como na solidariedade
E na capacidade de transformação

Os sinais têm surgido em sentido contrário
Com lutas e ocupações
A exibição a vencer a verdade
E a competição a marcar as escolhas

Ainda assim acredito na empatia
Na amizade que envolve e reforça os laços
Nos acontecimentos que geram histórias
E na entreajuda nos momentos difíceis

Ainda acredito nos sonhos
No silêncio que revela a imaginação
Na memória que nos encaminha
E no amor que constrói vidas conjuntas

José Gomes Ferreira

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publicado às 21:34

Alegoria do monte

por José, em 02.01.26

Não sei se é verdade essa história
Dizem que atrás do monte se descobre o amor verdadeiro
Às escondidas ninguém tem medo de se revelar
Depois muda por pudor ou interesse

Vamos entrar nesse sonho
E chegar ao limite da pureza
Podemos nos esconder todos os dias
O monte pode ser o nosso abrigo

Tem quem goste de mostrar que domina a relação
Nesse caso exibe até o corpo nu do parceiro
Confunde carícias com devassa
Beija e apalpa para gerar inveja doentia

A vida exposta não impõe apenas regras
Obedecemos por hábito de reserva
O isolamento dá a falsa ideia de reciprocidade no sentimento
Temos medo de perder o que não é conquista

O monte pode ser fonte de mistério
E instante de revelação carnal
Pode frustrar a vergonha em mostrar o outro
E desinibir a inocência do pecado

José Gomes Ferreira

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publicado às 23:35

Oxidante

por José, em 02.01.26

Ainda sinto o arrepio
O mundo a despertar
Onde a consciência corre
E a esperança amanhece

Ainda corro nas ideias
E nas palavras da imaginação
Estou sempre em alerta
Que não falte força e freio

O tempo passa a correr
As despedidas são repetições
Mesmo que circulem entre vozes
Os sonhos voltam a ser capazes

Já percorri a história e o destino
Abracei as flores nas avenidas
Fugi às promessas de amor
Não me acomodei nas relações

Talvez siga por engano
Sem dobrar a voz e os passos
Deixem-me abrir os braços e escolher
Dar luz ao próprio sentido da existência

José Gomes Ferreira

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publicado às 15:24

Dez anos

por José, em 02.01.26

O amor parecia tão certo
Como se o Inverno fosse Verão
Tudo parecia tão perto
Que qualquer palavra escondia a ilusão

Ainda assim nem tudo foi perdido
Na vida que se mantém diversa
O vento foi o único ofendido
O destino não gerou nem controversa

E o que dizer do encanto da descoberta
E da vocação pelo caminho do saber
O mais importante tem sido a mente aberta
Quando se trata de viajar e conhecer

Também tem havido dificuldades
Não se podem apagar da narrativa
Dez anos levam a outras idades
Porém muita esperança se mantém viva

Não voltaria atrás nessa incursão
Nem vejo motivo para arrependimento
Quem mais tem gostado é o coração
Que na luz da manhã define o sentimento

José Gomes Ferreira

* Em Janeiro de 2016 mudava-me de Lisboa para Natal. 

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publicado às 03:31

Feliz Ano Novo

por José, em 01.01.26

Esqueço a ansiedade e como age possessiva
Esqueço até os dias gélidos da montanha
O vento cortante a espelhar o horizonte
E o efeito da glicose na saúde
Deixo chegar os raios de Sol que perpetuam a luz e o azul
O infinito sentir da memória na história comum
A escrita feita nas pedras da calçada
E nos aromas efêmeros da visita
Deixo chegar o calendário no rodar das posições
Que se realize a esperança por melhores acontecimentos
E pelas virtudes que acompanham os laços
Agora acontece o pleno abraço
Não vem sozinho na película
A ele juntam-se sorrisos e brindes
Sentimentos que nos levam à sorte do recomeço
À energia que eleva os sonhos a realidade
Ao gotejar do novo ciclo de felicidade e realizações
Celebre-se o amor fraterno e exposto
O encanto da terra, do ventre, da anizade e das gerações
O Novo Ano começou

José Gomes Ferreira

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publicado às 08:23

Significados

por José, em 01.01.26

Tem significados que nem todos entendem
Muitos pela falta da saudade da ausência
Outros pelo sentimento de pertença
E integridade da sensibilidade
Em que a imaginação repensa dogmas
E rejeita obedecer a ideologias
Tem significados prematuros
Disputados por reafirmações de ouvir
Sem o apelo do coração e do conhecimento amplo
Tantas vezes é o silêncio que elucida
O afastamento retórico da sensatez
A distância clareia as ideias e o respeito
Virados do avesso pensamos não apenas no nosso lugar
Mas igualmente na empatia que falta no existir
E no encanto que precisamos colocar no centro da vida
Progredimos na corrida pessoal
Só que de pouco serve perdendo a Humanidade
No nosso lugar de destaque por dignidade e exemplo
Tem significados que só a vivência esclarece
E o amor transita na experiência fora da fantasia
Perdendo a verdade dominante do ego
Tem significados aprendidos de berço
Multiplicados no correr de mundo e humildade das representações

José Gomes Ferreira

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publicado às 03:49

Líquido que nos liga

por José, em 31.12.25

A água das fontes está imprópria para consumo
Quanta negligência na terra dos suspiros
Talvez seja poluição verdadeira
Quem sabe é para esconder a falta de monitorização
Está difícil de saber, não será por amor
É certamente impreparo que nos deixa infelizes
Para cúmulo a rede pública tem falhas e cortes por estar obsoleta
Atiram nas torneiras um misto de água-lodo
É do conserto, mas dá-me cabo do coração
O clima anda a mudar, as fontes constroem resiliência
O abandono retira encanto às vivências da água
Água é vida, líquido que liga e religa cultura e gente
As fontes sempre foram locais de encontro
De muitos dedos de conversa e até de namoros
Uma fonte inactiva é uma memória morta
O paladar que se perde na ignorância
Já ninguém mata por lá a sapeira
Morre com as barricadas das operações económicas
E da ilusão da eficiência com exigências

José Gomes Ferreira

20251226_112955.jpg

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publicado às 01:29

Ficar por aqui

por José, em 30.12.25

A espera longa atrapalha
A luz solar de Norte a Sul
Os sonhos longe do caminho
Os amores que nunca amei
O coração inquieto que não escuto
Os percursos de cabo a rabo
O olhar que fica e vai
A chuva sem querer
Como poderei seguir se a saudade me prende
E o espaço preenche os aromas e os tesouros
Tantas lembranças e acontecimentos
Episódios contados com destaque
Parecem construir a história do país
E revelar o perfil de gerações inteiras
Observei quem andou na resina e os contrários
Usei canivete sem o reconhecer como arma
E elevar a auto-estima todo ano
Esculpia madeira em feições hipotéticas
Descasquei a fruta da estação
O programa não mudava no botão
Era preciso cultivar a terra e seguir para o que sou

José Gomes Ferreira

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publicado às 09:19

Conversas cruzadas

por José, em 29.12.25

É tempo de recolha de indicações
Andamos perdidos na banalização
Saltam à nossa frente utopias de excelência
Escuto conversas cruzadas
Um grupo exalta o papel das mulheres na gestão financeira
Não o faz sem laivos machistas
Outro grupo fala sobre o casamento da filha do senhor Fortuna
Parece que tinha jeito para a costura
E gostava de um ausente chamado Luís
Vivemos vidas cruzadas somente com encontros hipotéticos
Os laços são mais fortes em comunidades tradicionais
Mas já dizia Simmel que a metrópole confere autonomia
Uma autonomia que pode arrastar para a solidão
Difícil é encontrar alguém sem dialogar sobre a vida dos outros
Faz-nos falta o bom dia e o abraço
Toda a liberdade tem preço
A alucinação é a espera do passar dos dias
A doença é quando a vida alheia preenche as narrativas

José Gomes Ferreira

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publicado às 17:28

Peito aberto

por José, em 28.12.25

A fogueira de Natal mostra algumas brasas
As noites trazem o frio do Norte dos Hemisférios
Falam bem das pessoas, dos laços e da fé
O que não significa cair em enganos
Existem muitas disputas escondidas em sorrisos
A Serra da Estrela aparece coberta de neve
O rio Mondego esconde as entranhas
A névoa estende um manto de cristais sobre o leito
A saudade é por agora merecida
E são restabelecidas as coordenadas
Haverá sempre partidas e regressos
A paz é mais feliz onde se construíram as primeiras memórias
Os caminhos estão abertos à presença humana
Percorremos alguns quilómetros em vitória
O grupo segue com convicção
Sei que é tudo passageiro e gera ansiedade
O controle existe havendo encanto
Qualquer lembrança é um baile de corpo e pensamento
Factos que nos ligam a metas e realizações

José Gomes Ferreira

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publicado às 19:31


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