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Passos em falso

por José, em 12.11.24

Falam dos ecossistemas e da crise
Do espeto na alma e do génio humano
Certamente perdido na equação
Quantas vezes simplesmente à espera de ser nomeado
Perdeu-se a essência e a tecnologia não tem culpa
É a posse e a dominação por estatuto
A estratégia em não parar as representações negativas sobre o outro
É tão nefasto o odor das ranhuras da mente
E das metástases do capital sobre o ego
Falam dos riscos da Inteligência Artificial
O maior risco é humano e não é por falta de inteligência ou informação
Tudo se transformou em número
Aplaudem-se massacres e violações
Usam o nome de Deus no desprezo e na morte do outro
Não sei se temos futuro para além da supremacia da elite
As narrativas e os dogmas não servem nem para lavar louça
Também não lavam os lençóis
Permitem o falso dever da consciência
O que apenas arrasta e agrava a impressão

José Gomes Ferreira

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publicado às 15:50

Havia vida na mata

por José, em 12.11.24

Ainda não chegaram os incêndios
Tiro ainda o musgo das pedras
Junto também a caruma e as pinhas
Escuto a água a correr na ribeira
E o canto despachado dos pássaros
Saltam-me à frente algumas lagartixas
Acompanho também um carreiro de formigas
O tojo e a giesta ainda não dominam
Trazem cor e aroma à obediência ao pinhal
Não muito longe escutam-se algumas ramas soltas a cairem
Alguém queima as vides e limpa a vinha
A pequena fogueira rompe o horizonte
Aponto o olhar para um púcaro de resina
Tem quem conte as bicas
A Serra abre-se como painel de azulejos
A escolha fixa da paisagem no olhar
O Sol aquece o granito e eu recordo
Sigo ainda pelos caminhos traçados pela passagem na mata
Tenho até medo de escorregar se exagerar na imaginação

José Gomes Ferreira

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publicado às 00:33

Sobredose

por José, em 11.11.24

Actualmente a política está em tudo
Menos na decisão que alavanca as nossas vidas
Quando a política chega às relações interpessoais não existe mais paz
O pior é que não chega para enriquecer o debate
Aparece apenas no confronto e exibição
A política é a salada de alface sem azeite
O mistério das nuvens que encobrem a luz
Lembra um sortido de doces em que só a embalagem é linda
Gostaria de escutar as pessoas nas suas vivências
Não me interessa o idolatrar de certas figuras
Não vejo nas posições ninguém que se destaque
De dogmas está o mundo cheio
Gostaria de escutar homens e mulheres apaixonadas
Pessoas determinadas que sabem que a vida não vem de graça

José Gomes Ferreira

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publicado às 16:23

Timidez

por José, em 11.11.24

Tem momentos em que a pele se arrepia
E ficamos engalfinhados na estrutura
Na incapacidade de reacção a espasmos
Sem tempo para representações ou ousadias
Apenas com os suores frios do instante
E o rosto rosado de timidez
Simultaneamente a garganta seca
E as palavras atropelam-se na estreia
Ainda pensamos ser um problema vocal
Também pode ser uma reacção de espanto
Tem encontros que nos fazem redobrar o sentimento
A dificuldade está em distinguir a realidade da imaginação
E em deixar fluir a aridez sobre a leveza

José Gomes Ferreira

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publicado às 16:00

Dedicatória

por José, em 11.11.24

Lembro tanto da paixão
E de tudo o que se sonha
Dos passos dados na imaginação
E daquilo que nunca nos envergonha

Amarro o vivido às estrelas
Solto o que vai na memória
Não se trata de admirar formas belas
Apenas de fazer da vida uma dedicatória

Não é por puro revivalismo
Nem para saudar a luz
Ainda que o chamado saudosismo
Tenha um jeito que nos seduz

Tudo na vida tem o seu tempo
Nem sempre se trata de persistência
É importante seguir o correr do vento
Sem nunca se perder a essência

José Gomes Ferreira

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publicado às 00:53

Beleza

por José, em 10.11.24

A beleza tem a pele macia
E anda com o coração a sorrir
Não é apenas corpo de mulher
Sensualidade que brilha aos olhos

A beleza tem história e caminho
Faz-se de laços e coragem
Não desponta a vaidade na rua
Nem carrega os padrões aceites

A beleza é uma dádiva da Humanidade
Não desfila em passagens de modelos
Nem encosta a barriga ao fogão
Cativa quem se descobre no reflexo

Também não é a distopia do aparato
E não se confunde somente no cuidado
É a realeza dos actos na suposição das expectativas
A alma transposta para a realidade da observação

José Gomes Ferreira

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publicado às 11:50

Muito para contar

por José, em 09.11.24

Dificilmente chegarei a netos
Contudo terei muito para contar
Orgulha-me caminhar assim
Parece que pulei de uma manta de terra para cavar
Sai da beira do poço com água para tirar
Larguei o machado e a lenha para rachar
Guardei tudo no peito e dei outras voltas à vida
Terei muitas aulas para relatar as interjeições
E fugir ao instante com a narrativa
Não que tenha qualquer vergonha do vivido
É exactamente pela largueza do caminho que o faço
E por venerar cada passo partilhado
O que importa é a motivação e quem temos a nosso lado
Não existimos no sumiço da nossa história
Apenas no pontuar da nossa presença nas circunstâncias

José Gomes Ferreira

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publicado às 21:54

Parafusos a menos

por José, em 09.11.24

Somos felizes sem hesitação
Sobretudo quando ignoramos os mirones
As vozes que pretensamente têm razão
É incrível a quantidade de pessoas que vive a nossa vida
E excrementa sobre o que desconhece
Bisbilhotar e invejar deveriam ser consideradas profissões
São práticas correntes em todas as classes sociais
O que nos faz mais bater o pé são as representações causais
Quando discordam de nós logo dissertam sobre os nossos parafusos
Se temos um a menos é sinal que estava a mais
Pois apesar desse desdém nós estamos óptimos

José Gomes Ferreira

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publicado às 21:38

Esteira

por José, em 09.11.24

Transporto comigo a ideia do conhecimento
A paixão pelo saber e a escolha por ensinar
O meu mundo não é o que aparento
Mas o amor com que sigo
Não necessariamente de vertentes carnais
O sangue também corre no pensamento
Os fluxos geram-se nos impulsos
Os laços aumentam e apressam as causas
Não se trata de esperteza
Nem sedução movida apenas pelo charme
O que mais seduz são as imagens não escolhidas
A luz das candeias e o esconderijo dos canaviais
Não é o palanque ou as medalhas
É o orgulho do suor e da luta
Não é exclusivamente a utilidade
Poderei ignorar os slogans
Só não posso abdicar da interpretação

José Gomes Ferreira

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publicado às 11:28

Motivação

por José, em 09.11.24

Haverá um lugar de chegada
E um momento
Assim como alguém que nos espere
É tanta a corrida
Certamente é justificada
A principal motivação não é a sobrevivência
Muito menos a glória do capital
Outras razões devem existir
Incluindo a memória dos antepassados
E o sorriso desperto de quem nos rodeia
Quem sabe o próprio Sol e a Lua
E o coração trêmulo dos transeuntes
Algo motiva o caminho e a intensidade
Sabendo que a vida é passageira
E o que deixamos de legítimo são as lembranças e a obra imaterial

José Gomes Ferreira

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publicado às 11:11

Humanidade

por José, em 07.11.24

O oliveira não esgaça no tronco
Nem o Sol se tapa com a peneira
Tudo tem a sua função e resistência
As representações iludem quem não conhece

A força não está somente nos braços
Nem a resistência é medida apenas pela experiência
Os atributos gerais são condições favoráveis
Mas ninguém ama no correr do punho

Também a espiritualidade engana
Não existe espiritualidade sem auto-conhecimento
Não adianta destacar teorias e dogmas
Nem chamar de comunidade a quem é forçado a morar no mesmo bairro

Do mesmo modo, somos humanos sem pingo de Humanidade
Uns somos mais condenados da Terra que outros
Não existe Humanidade perante a desigual condição
Isso é a brutalidade a mostrar que tem coração

José Gomes Ferreira

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publicado às 03:03

Extremos ocultos

por José, em 07.11.24

Andamos a trilhar caminhos errados
No que usamos os rótulos da política
É como polarizar para disseminar vazios
E legitimar meios concretos de dominação
A política anda a controlar a moral e a estética
E anda a acomodar os excluídos
Quando na verdade é o individualismo que cresce
São as desigualdades que explodem
É o amor próprio e o sujeito colectivo que se arriscam
Tanta publicidade somente para vender panfletos
E na inversão da lisura vender armas
É a Humanidade que perde na trajectória
As próprias religiões vendem-se a fantasmas
Cantam, dançam e rezam para fingir que não sabem
Criam deuses que supostamente protegem
Que também nada sabem de cataclismos
Tudo é acto de consumo e prazer visceral
O ódio finge ser desejo e sucesso
Gera os seus aplausos para convencer
Finge-se de inocente na repetição oca
Ocultam-nos os extremos para reforçar que não temos alternativa
A lucidez e a luta são usadas para desacreditar

José Gomes Ferreira

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publicado às 02:09

Voz de comando

por José, em 06.11.24

Quem nos tira as vísceras da boca
No caminho a que chamamos progresso
Estão cruas e ensanguentadas
São de gente em busca de melhores condições
Quem nos apaga a consciência e responsabilidade
Quando prevalecem palavras de ordem
A ordem unida para prosseguir e desprezar
A bala que escolhe a cor é condição
Quem efectivamente detém o poder
A violência determina a posse sem contestação
A escolha gritante da propaganda
Não andamos perdidos, já não tem caminho para encontrar
A própria consciência já não se recupera
Tudo é voz de comando e procissão

José Gomes Ferreira

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publicado às 09:24

Superação

por José, em 05.11.24

Supero as mãos lambidas de sangue
Da guerra que não aceito
Supero a luz dos olhos
E a eternidade da perda
Supero a devastação humana
E o efeito da tempestade
Supero o ódio
E o argumento contraditório
Supero o martírio do fogo
E as cinzas arrastadas pelo vento
Supero o fim das expectativas
E a angústia do sucesso
Na confissão supero tudo
Incluindo a lacuna do projecto
E a dificuldade material de viver
Tenho dificuldade em resignar
E aceitar a compaixão
Porém supero a ética e a empatia
Faço-o para sobreviver
Para agradar ao destino
E me apresentar igual
Supero tudo na ilusão
Mesmo que tenha dificuldade em viver em consciência
E multiplique os elogios a quem aparece na sombra

José Gomes Ferreira

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publicado às 05:51

Não é dúvida, é silêncio

por José, em 04.11.24

O silêncio pode ser uma divisória
Dizem que é solidão
Onde afago colinas
Trazendo serras e vales
Com noites mal dormidas
Memórias com surto a narrativas
Rostos chocados no espelho
Algumas meias sobrepostas
Não vá o inverno de outrora voltar
E não vá o presente ocupar-se de calafrios
Dizem ainda que é paz
Essa paz que leva ao pensamento
E viaja dentro das próprias viagens
Também incomoda, dizem
Na dúvida leio as notas para amanhã
Não vá sentir o vazio da ausência
Nem o choro das carpideiras
Nem sequer a mágoa nocturna do olfato
Silêncio é também a expressão das rupturas
O fim da fadiga e saturação
O instante da entrega às convicções

José Gomes Ferreira

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publicado às 01:35

Cor dos beijos

por José, em 03.11.24

Os beijos são colagem
Podem ser até repetição
Mas também são aragem
E construção de uma relação

Os beijos são carícias
Acontecimentos quotidianos
São instantes sem notícias
Integram grandes planos

Os melhores beijos são supremos
Se forem dados com verdade
Não se confundem com barcos a remos
Nos lábios também se cruza a liberdade

Tem beijos por inocência
E outros escondidos na timidez
Os melhores são dados com consciência
Não combinam com malvadez

José Gomes Ferreira

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publicado às 23:54

Desinformação

por José, em 03.11.24

E se o mundo andar para trás
Na lógica de algum espertalhão
Cabe-nos erguer os braços e as pás
Para não se dar um trambolhão

Tem quem negue as evidências
E goste muito de dar palpites
Certezas nem nas ciências
Muito menos para discutir limites

Não existe uma única verdade
Porém é importante agir com clareza
Fazer uso da necessária racionalidade
Ignorando qualquer pretensa certeza

Disseminam muita desinformação
Para dar voz à ignorância
Querem muito ser afirmação
Para fugirem à sua irrelevância

José Gomes Ferreira

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publicado às 23:33

Coração humano

por José, em 03.11.24

O meu coração vive em paz
Com tudo o que o envolve
Se eventualmente deixou algo para trás
Isso nem amanhã se resolve

É no meu corpo que se expressa
Se por acaso for desperdício
O melhor é não ter pressa
Desejo e amor são um vício

O meu coração vive tranquilo
Mesmo no meio de tanto aperreio
Não se dispersa com isto ou aquilo
Nem com o que espera do correio

Conhece bem o seu instinto
Não foge ao seu querer
Não anda assim tão faminto
Por isso não se anda a oferecer

José Gomes Ferreira

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publicado às 17:59

Expectativa e realidade

por José, em 02.11.24

Se tudo fosse amor
Era capaz de cair em prantos
Transformando sentimento em dor
Para ocupar todos os cantos

Se tudo fosse sucesso
Superaria as expectativas
Agiria como líder do congresso
Mandava os outros às urtigas

Se tudo fosse deleite
A vida seria monótona
Saberia como ser aceite
Só não saberia vir à tona

Se tudo fossem facilidades
E vida desprendida
Não faria da defesa das liberdades
O meu propósito de vida

José Gomes Ferreira

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publicado às 10:48

Almas livres, gémeas não

por José, em 02.11.24

Não procuro a minha alma gémea
Nem a outra metade da laranja
Seria mais fácil comprar um espelho
Também poderia refazer todo o ADN
Procuro uma alma recíproca
E uma laranja inteira com casca
Uma alma gémea aborrece
E meia laranja rapidamente oxida
Não quero ninguém que me complete
Mas sim alguém que comigo abra novos caminhos
Alguém que me chame para observar o outro lado da Lua
Não a face que o meu entendimento coloca nos meus olhos
De nada adianta buscarmos complemento
A felicidade vem do crescimento
Não surge da mimética da forma

José Gomes Ferreira

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publicado às 04:45



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