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Encanto do mar

por José, em 31.03.24

A imensidão guarda mistérios
E o mar responde aos homens
Por vezes revolto de sensível
Outras manifesto no esplendor
Capaz de cativar amantes e curiosos
Salpica de sal os corpos repletos
Preenche um lugar no coração
Junta céu, brilho e catarse
Na praia os turistas esperam felicidade
Os pescadores procuram pão com nome de coragem
Enfrentam as ondas na solidão dos reflexos
Espelhos líquidos do seu rosto sobre a luta por um dia melhor
Tem tanto ser que desconhecemos nas suas águas
Histórias de metamorfoses e vitórias
Movimentos profundos de lugares e géneses
Conhecemos o seu semblante como energia
Abraçamos as dádivas da natureza

José Gomes Ferreira

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publicado às 15:37

Páscoa Feliz

por José, em 31.03.24

Acredita na escolha leve
Aceita os ossos do ofício
Toda a cruz que se carregue
Não é necessariamente sacrifício

Não escutes apenas a narrativa
Interpreta também os significados
Nem tudo tem justificativa
Não é como o perdão dos pecados

A Páscoa é sobre a dádiva da vida
Sobre o pranto que se transforma em paixão
É sobre acolher qualquer alma perdida
E chamar à luta ressurreição

José Gomes Ferreira

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publicado às 10:40

Quanta utopia

por José, em 30.03.24

A nostalgia parece um filme de Hollywood
Com beijo solto e perfume de saudade
Pastilha elástica vítima de fast-food
Crença de que outrora era viver de verdade

A nostalgia é uma narrativa supremacista
Com gosto a champanhe e tibornada
Testada com dois bailarinos na pista
E com uma multidão que se acha disciplinada

A nostalgia esconde um amor secreto
E não revela o desejo de independência
É sonho com mania de ser concreto
É o risco da perda de consciência

A nostalgia lembra sorriso de mulher
Nos dias cheios de encanto
Só não é de uma beleza qualquer
É a mulher com a qual me levanto

José Gomes Ferreira

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publicado às 23:33

O meu eu divino

por José, em 29.03.24

A minha espiritualidade está na memória
Assim como na paz da observação
Está tanto no já vivido como no esperado
E no encanto magnânimo da natureza
Resulta da própria experiência
E do fruto que esta deixa na sensibilidade
Não é nenhuma competição pela fé
Nem o chamamento do meu Deus interior
Tudo acontece na tranquilidade da interacção
Não guardo em mim nenhum eu divino
Também não venero utopias
Dou graças ao destino e aos laços
Sigo tudo o que em meu redor seja construção

José Gomes Ferreira

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publicado às 22:27

Brasil na contramão

por José, em 29.03.24

O que se destaca no Brasil não é a pobreza
Dessa peca a grande massa da população
Que retorce o corpo e o estômago quando ocupa a calçada para passar a noite ou invade a rua para catar cartão ou vender água
Tantas vezes iludida que a salvação está na crença divina que escuta no rádio a pilhas e no trabalho que engole o choro
O que se destaca é a contramão
É o aburguesamento dos costumes e rituais
A colonização cimeira dos vícios para mostrar felicidade instantânea
O simulacro de quem se julga viver na opulência
A ritualização hollywoodesca das celebrações e do amor
O glamour com um preço elevado a pagar, mas do qual ninguém quer soltar o pé

José Gomes Ferreira

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publicado às 13:25

Histórias do bairro sem chaminés

por José, em 29.03.24

Uma breve chuva veio cumprimentar a manhã
E abraçar o Sol com algumas gotículas
Não se prendeu muito na permanência
Veio entregar flores com pétalas viçosas e aromas luxuriantes
Trazia também com ela o canto dos pássaros
Que mal partiu arredaram asa dos ninhos
Vieram cantar para a fiação e para os alpendres
Deixou também um silêncio brilhante
Uma paz que tenta o amor a conhecer o coração
Ainda que o seu toque não tenha chegado ao corpo quente
Veio desejar bom dia, paz e felicidade
Depois seguiu caminho no encantar da Terra

José Gomes Ferreira

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publicado às 10:43

Saudade para a frente

por José, em 28.03.24

Sentirei sempre saudade pelo ainda não vivido
Uma ânsia natural por conhecer e partilhar cada vez mais
Não me refiro às frustrações pelo não alcançado
Mas à possibilidade de multiplicar o encanto do coração
E definir qualquer aproximação à plenitude pelas vivências
Seguir para além do passageiro e do intuito
Abraçar a vida com a simplicidade de quem renasce a cada dia

José Gomes Ferreira

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publicado às 20:12

Laços soltos

por José, em 28.03.24

Nunca fiz nenhuma promessa
Que fosse de amor eterno
Se fizesse seria a quem mereça
E com quem partilharia as noites de Inverno

Nunca traí para satisfazer o desejo
Guardo-me no silêncio da solidão
Por vezes sinto saudades de um beijo
Outras ligo a liberdade ao coração

Já corri mundo e atravessei oceanos
Pelo amor que nos transforma
Só que nem tudo aguenta o passar dos anos
Nem o sentimento se guarda para a reforma

Mantenho sempre a esperança
Da reciprocidade leve e encantadora
Quem espera sempre alcança
A vida sobre isso é esclarecedora

Nos sonhos tenho laços soltos
Na paixão vivo ternura
Os meus cabelos são sempre revoltos
As minhas palavras não perdem a finura

José Gomes Ferreira

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publicado às 00:22

Demagogia

por José, em 27.03.24

Falam em carácter e ser de palavra
Para os homens que eram de outrora
E que agora se simulam na propaganda
Falam de valores e tradições
Como que a iludir o respeito
A prometer obras e amor eterno
Como quem promete chuva no céu ardente
Falam em recuperar o atraso
De colocar o país no caminho do desenvolvimento
E de acabar com a corrupção
Falar falam muito e lavam muito tacho e roupa suja
O problema é que não têm qualquer projecto para o país
E não têm a noção do funcionamento das instituições
Uns e outros incham-se de casas e carros
Acusam peões, jornalistas e desviantes
Chegam a falar do púlpito sem folgar a respiração
A sua eloquência quase se confunde com a verdade
Acredita quem quer na demagogia dos beatos do capital
Se faltarem cravos que se use o coração

José Gomes Ferreira

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publicado às 23:39

7 vidas

por José, em 27.03.24

Vivi várias vidas numa história só
Por isso posso contar as estrelas
E lembrar como eram os dias sem expectativa
O sorriso das velhas na soleira da porta
O Sol a esturricar os alpendres
E as mãos calejadas pelo movimento do cabaço
Posso contar as pedras na calçada
E as vezes que carreguei água no cântaro
Vivi e dei parte de mim, como crença reforçada pela necessidade
Na qual o mistério é o motor da imaginação
Não admira que todos os dias viaje e regresse
Não ando perdido nem movido por alucinações
Visito todas essas vidas e lugares
Observo o que faço e que caminhos me são reservados

José Gomes Ferreira

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publicado às 00:35

Auto-estima

por José, em 26.03.24

A velocidade tem paladar de mulher
Acelera o coração e antecipa decisões
Como se o coração tivesse vocação para escutar
E fosse um íman atraído pela química da vida
E pelo desejo ensaiado nos corpos e na reciprocidade
O destino é feito de luta e vontade de alcançar
Nem sempre é linear e predisposto
Seguimos na expectativa de novos quadros e emoções
O que é apresentado à partida é a opção pelo optimismo
A certeza de que a nossa principal vocação é acreditar
Andamos muito vinculados ao que julgamos os outros escolherem para nós
Sucessos e fracassos vão para além das representações
Não precisamos apenas de força e coragem
Mas de erguer o rosto sem hesitações e burburinhos

José Gomes Ferreira

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publicado às 11:41

Páscoa Feliz

por José, em 25.03.24

O tempo era de trabalho e humildade
Chegava a confundir-se com salvação
Só faltava chamar a liberdade
Mesmo que lá em casa não falta-se pão

Na Semana Santa tudo parava
Na azáfama que era a agricultura
Era de festa que se tratava
E tradição era prioridade na cultura

As mulheres arrumavam as casas
E marcavam lugar no forno da aldeia
Muitas parecia que tinham asas
Chegavam a cozer taleiga e meia

Na cozedura os aromas eram divinos
Com o bater dos ovos, do açúcar e farinha
Que o digam na visita pascal os primos
E o (a)folar do padrinho e madrinha

Os bailes eram isentos de qualquer logaritmo
Na luz e cor o coração saltava para fora
Se a música era dos Ases do Ritmo
Mesmo tarde ninguém queria ir embora

A dança da flor despertava paixão
Mesmo com as mães a controlar
O certo é que quem mandava era o coração
E o segredo estava na escolha do par

José Gomes Ferreira

Memórias de como era na aldeia

Páscoa Feliz O tempo era de trabalho e humildade

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publicado às 00:57

Reciprocidade

por José, em 25.03.24

Tem noites em que te espero
E outras em que te beijo
Se a bondade estiver no que quero
A verdade não está no que exijo

Na vida nem tudo é racional
Todo o caminho tem paixão
Existe a vivência espiritual
E lugar para a imaginação

Deixei de te ver nos meus sonhos
Também não te procuro nas certezas
Tem pensamentos muito enfadonhos
Que revelam as minhas fraquezas

Se tiver que amar que seja feliz
E cole o rosto à liberdade
Que beba água pura do chafariz
E sinta gratidão pela reciprocidade

José Gomes Ferreira

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publicado às 00:12

Acertar a realidade

por José, em 23.03.24

O carinho pode ser muito perverso
Sem esconder o falso querer
Andamos tão alegres e cerimoniais
Que pensamos que tudo é sempre melodia
Tenho subido montanhas e sonhos
Tenho lutado com a minha sorte
A minha alma irá lembrar-se de ti
E trazer-te à luz na imensidão
O meu coração pode parecer perdido
E a deambular como pedido de asilo
Mas para ti nunca digo não
Não vão faltar as provas e confiança
A tua recordação não me deixa
Nunca estou só no cumprir da felicidade
Um dia não haverá mais espera
E tudo se unirá nas estrelas
Não haverá mais ansiedade
Apenas as voltas que a vida dá para acertar a realidade

José Gomes Ferreira

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publicado às 23:05

Negacionistas

por José, em 21.03.24

Sentados na porta do Facebook
A acreditar que vencem na opinião
Nunca leram nenhum livro ou ebook
Acham-se donos da razão

Têm o privilégio da ignorância
Mas martelam a ciência sem sacrifício
Talvez o façam com ganância
Não sabem nem o que foi o armistício

Lançam farpas e dão erros
Ei-los a comentar todas as publicações
Usam maiúsculas e falam aos berros
Muito gostam os negacionistas de provocações

José Gomes Ferreira

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publicado às 16:31

Poema permanente

por José, em 21.03.24

Falam-me de andarilhos e amores impossíveis
Do mar que abraça a terra e reforça a vida
Com tons mulatos de fantasia
E maresia entre os rumores e as convicções
O coração é mais do que um órgão
O balanço celestial da vida suprema
Chega a bater com medo da paixão
E a parar quando se acha descoberto
O ser completa-se no simbolismo e simbiose
Sobretudo maravilhado pelo optimismo e interacção
Espero que soltem o brilho das estrelas
E o perfume que os olhos marcam quando se descobrem
A poesia é o encanto dos dias na luz que funde o olhar com o sentimento que bate no peito
A distância é o desejo de se querer construir sobre o tempo que se quer dedicar
O sonho é o caminho para o conhecimento do futuro e do imaginário
Somente precisamos acertar os relógios e as horas
Não vá a fantasia chegar e o corpo atrasar-se nas obrigações

José Gomes Ferreira

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publicado às 00:53

Da ausência se transformam vidas

por José, em 19.03.24

Hoje celebrou-se o Dia do Pai. Estas celebrações valem o que valem, muitas vezes nada, servem fins comerciais, que são importantes para reforçar a economia e elogiar os laços. Não deixo de comentar a importância que tem, todos os dias para mim. Fiz parte de um pequeno grupo na aldeia que perdeu o pai prematuramente. Tinha feito 12 anos no dia 1 de Fevereiro, o meu pai faleceu no dia 4. Foi um processo bastante doloroso. Os meus pais eram emigrantes em França e no final do ano de 1976 o meu pai começou a ver o seu estado de saúde a agravar-se. Provavelmente adiou a ida ao médico e depois tudo foi rápido. Faleceu de leucemia, que na época não tinha cura em lado nenhum.

Foi doloroso em dois instantes. Dada a burocracia para trazer o corpo para Portugal, demorou mais de um mês, essa espera foi demasiado atroz, até pela distância que se arrastava relativamente à minha mãe, que felizmente foi ajudada por compadres/comadres e vizinhos portugueses que moravam na mesma cidade, em Troyes. Nunca me esqueci do momento em que uma vizinha, certamente da mercearia, que era onde estava instalado um telefone público, foi lá a casa dar a noite. Era uma manhã fria de Inverno, ainda cedo, alguém bate à porta e a minha avó levanta-se. A cozinha nas aldeias ainda funciona como sala de espera. Chegaram mais pessoas. Passado alguns minutos a minha avó chama-me e ao meu irmão. Ao contrário da maioria, nunca se deu a nossa ida para França, a minha mãe regressou a Portugal poucos anos mais tarde.

O outro momento doloroso foi o da dor da ausência, tanto dos laços quanto das referências sociais. Sobretudo nas aldeias perguntava-se sempre: oh rapaz és filho de quem? Quem é o teu pai? Na adolescência andei muito à boleia na região, isso era recorrente. Para quem conhecia a minha avó dizia ser neto da Teresa, noutras situações um dos meus tios, o Mário, era a referência principal. Agora parece fácil, mas na época para um jovem do campo, sem conhecimento do mundo, foi um luto pesado. Digo sempre que a minha luta é para que o meu pai, assim como a minha avó, se possam orgulhar de mim. Praticamente não conheci o meu pai, "deu o salto" mal eu nasci. A minha avó era analfabeta, sabia assinar o nome, mas era uma pessoa carismática. Não posso igualmente esquecer o meu avô, na verdade o segundo marido da minha avô, assim como as duas irmãs. Todas essas pessoas ajudaram-me a seguir em frente, a perda de um pai não se esquece, mas essas e outras presenças exerceram em mim muita influência e motivação positiva.

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publicado às 22:58

Feliz Dia do Pai

por José, em 19.03.24

Meu pai que cedo partiste
Sem me ver pelo mundo fora
Eras jovem quando me viste
O destino levou-te sem demora

Ficaste sempre no meu coração
Como força do sangue nos laços
És toda a minha inspiração
E a força dos meus braços

Relembro-te todos os dias
É tão forte a tua ausência
Narro-te em muitas melodias
És a matriz da minha essência

José Gomes Ferreira

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publicado às 10:26

Culpas

por José, em 18.03.24

Podem culpar-me da ambição
E do gosto sedutor da permanência
Podem culpar-me pelo desalinhamento
E falta de estímulo para vínculos
Podem culpar-me por não me soltar
E não ter medo de mostrar o suor
Podem culpar-me por não largar os sonhos
E discutir o imaginário da memória
Não me podem culpar pela falta de luta
Nem do encanto feito sem pressas
Não me podem culpar por deixar de acreditar
E me entregar ao ócio dos conformados

José Gomes Ferreira

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publicado às 23:51

Coerência

por José, em 18.03.24

Guardo os meus sonhos para a ternura
Deixo os meus gestos para a fidelidade
Não tem amor se não tem lisura
Não tem futuro não havendo verdade

As palavras que digo são especulativas
São princípios para seres racionais
Não perdem nunca as prerrogativas
Valem tanto como as outras demais

Não adianta concretizar as utopias
Se depois vence a incoerência
Sobressaem sobretudo as nossas manias
E na saturação os outros perdem a paciência

José Gomes Ferreira

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publicado às 10:45

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