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Batalhas

por José, em 05.02.24

Siga sempre o seu caminho
Não se deixe arreliar
Haverá sempre vento forte
E coração de rajada
Não se deixe abater
No que dizem ser conselhos
Nada se faz sem esforço
Quem nunca tentou é pessimista
Tem outros que iriam mais longe
Porém nunca mexeram uma palha
Tem muito herói no papel
Com tesão apenas no argumento
Tem quem mostre o que não tem
E quem apenas faça
Não perca a sua meta
Os mais próximos são os que mais duvidam
E por inveja se querem mostrar
Siga firme e penitente
Seja herói para si mesmo
A sua luta não é uma competição

José Gomes Ferreira

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publicado às 09:45

Separação

por José, em 04.02.24

Não fazes perguntas, esperas revelações
Se haverá algum segredo que guardo
Algum impedimento que me permita viver junto a ti
Agora não é pela alma ou sentir do coração
Deixei no silêncio a paixão de contrabando
A insatisfação do teu analisar normal
Que se entregava por um beijo, porém cobrava no deslize das palavras
Sou estranho, praticamente assim nasci
Sempre fui fiel no depoimento e nas mãos dadas
Cada passo era certeza, amor e vontade
Sempre fui cauteloso na revelação, esperava entendimento
No meu peito sempre estiveram os teus braços
Ansiava a escolha de cada encontro
Deixando à esperança escolher o destino

José Gomes Ferreira

* No momento são apenas divagações, mas que fazem parte das nossas vidas.

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publicado às 18:56

Cibernética da opressão

por José, em 04.02.24

O universo regurgita de anseios
Borbulhando nos buracos negros
Com a imensidão a ser fome
Vontade de conquista para além do desconhecido
Imaginários que escapam à disposição
Na linha esconde-se um horizonte fechado
Dias musculados agarrados às necessidades
Escafandros representam seres em tratamento
Presos a estruturas metálicas e a ordens
Com os corpos minuciosos e ideias desconhecidas
Com crânios representados por vassouras
E corações escondidos nos tambores das máquinas de lavar
Não precisamos de inteligência artificial
Já vivemos no fundo das águas a ver os peixes passar
Criaram para nós a ilusão da fartura e amplidão do cosmos
A felicidade é uma matilha de mentes a guardar o nosso quintal
Ainda gritamos por liberdade
Até que um pensamento raso morde o crochet
E nós despertamos com a televisão ligada nas notícias

José Gomes Ferreira

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publicado às 16:19

Ausências

por José, em 03.02.24

As ausências são a minha própria história
Não as ausências por atraso e esquecimento
Essas podem ser compensadas em outro momento
Tão pouco as ausências por ilegitimidade da relação
Mas a ausência da perda que a saudade não compensa
O lugar sempre desocupado à mesa
E sobretudo nas indicações de parentesco
No situar social que o coração não preenche
No simular da presença que a memória não corporiza
A ausência que dói mais é a que nos deixa sem céu e sem chão
Que nos retira as vivências e as representações de educar
A pior ausência é a de futuros hipotéticos que sabemos não ter condições para realizar

José Gomes Ferreira

* A 4 de Fevereiro de 1977 acontece a ausência que mais me marcou com a perda do meu pai. Foi praticamente uma dupla ausência ou uma ausência confirmada, uma vez que a necessidade o tinha levado a "dar o salto" para França pouco tempo depois do meu nascimento. As poucas memórias são de breves momentos de férias no mês de Agosto. Nessa manhã gelada do Inverno de 1977 a notícia prematura da sua partida.

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publicado às 19:18

Obrigado amigos

por José, em 02.02.24

A família é a raiz
Os laços inquebráveis
E muitas vezes a proa
A coragem para se enfrentarem tempestades
A temperança para se agir com parcimónia
O ADN da decisão
A forma do movimento
E a maneira de ser
Ah! Mas os amigos são a esteira
A estrada e o céu
O entendimento e a força
A sintonia e a presença
Os amigos são o sentimento com precisão
O abraço que ampara
A voz que desperta
O lado para o qual corremos
A certeza do auxílio

José Gomes Ferreira

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publicado às 22:11

Sempre saudade

por José, em 02.02.24

Tenho saudade de contemplar a Serra e o vazio
As escolhas do tempo sem pressa de chegar
As manhãs de azul memória e luz
Tenho saudade das pessoas, mas também das estações
Do aroma brioso da chuva sobre a terra em pó
Dos bagos perdidos nas videiras e do esgaçar dos pessegueiros de tanto carrego
Tenho saudade do cantar das águas a descer os carreiros
E do sabor do agrião retirado da ribeira
Das noites na soleira da porta a escutar os vizinhos
E da repetição em subir as ladeiras
Tenho saudade do fim de tarde
Do pôr-do-sol infindável e do orquestrar dos instantes por rãs, grilos e vozes de mulheres

José Gomes Ferreira

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publicado às 18:29

Estranho silêncio

por José, em 02.02.24

Tem quem se aglomere à porta da misericórdia
E quem prefira ao de leve omitir a sua condição
Nem sempre os mais necessitados se expressam em alarido
Não significa que o alarido não é verdadeiro
Apenas que pela vergonha algumas vozes entregam-se ao silêncio
No pudor da necessidade e do desespero calam-se
Como diz o povo "não se sabe o que se passa com cada um"
Vivemos na sociedade da culpa, do pecado e do perdão
Assim como da competição e liderança
O silêncio é a recuperação da dignidade face à moralidade
É o castigo tantas vezes sem culpa
E a fraqueza quando decompõe a vaidade padronizada

José Gomes Ferreira

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publicado às 17:49

59

por José, em 01.02.24

Este dia chega como a luz
Na encarnação das utopias
E no canto dos pássaros
Atravessa a rua e a história
Soma no calendário
Relembra os ciclos e os laços
Desperta desafios e conquistas
O dia chega para se receberem notícias
Votos por ter somado tantos
Palavras para somar mais
O dia chega e parece que regresso ao ventre
Simplifico o olhar por tantos minutos
Guardarei o sentimento da narrativa
Temos sempre desafios
Tal como melodias e sorrisos
O amor à espreita em forma de flor
Silhuetas de silêncio
Desenhos de abraços e ideias
Quero sempre ser melhor
E encontrar o mundo lúcido e justo
Descobrir a nascente que simboliza a felicidade

José Gomes Ferreira

* O tempo passa rapidamente, muitas pessoas ficam surpresas com a minha idade, a aparência pode aliviar o calendário, mas os ciclos da vida somam-se.

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publicado às 09:06

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