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Janelo

por José, em 30.01.24

Vou espreitar pelo janelo
Como se amanhã fosse ontem
E a vida prossiga leve e ténue
Como a luz de cortina corrida
E coração resguardado
Vou espreitar como está o movimento
Escutar a passagem de pessoas e máquinas
Como o chegar dos anos sobre a calçada
Vou espreitar sem contar a ninguém
O janelo não posto de espia
Foi apenas um erro de obra

José Gomes Ferreira

* Na casa dos antepassados tem uma janela pequena, a que outrora o povo chamava janelo 

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publicado às 22:18

Crónica da juventude

por José, em 30.01.24

Guardo saudades da juventude sem a nostalgia de repetir
Cresci a cuidar dos animais nos currais
Mas também das pastagens e lida do campo
Na azáfama de tudo colher e guardar os cereais nas arcas e a palha nas palheiras
Sem esquecer os momentos passados na mata e depois no quintal a rachar lenha de machado na mão
Cresci com broa, azeitonas e vinho tinto
Com terra para cavar e água para deitar com cabaço ou cavaleiro
Carreguei às costas a velha máquina para sulfatar as videiras
Subi às oliveiras para respigar a azeitona
Sempre fiz de tudo na agricultura e na ajuda em casa
Ao mesmo tempo a escola mostrou-me o mundo das letras
Mais tarde conheci as bibliotecas, por quem me apaixonei
E pelo sentir dos livros a colarem o coração às mãos e às ideias
Segui adulto esta vocação, talvez por isso continue a valorizar a terra e a memória

José Gomes Ferreira

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publicado às 21:32

Promessas

por José, em 30.01.24

Promessas não enchem vazios
Nem mostram as almas que dizem estar no céu
Promessas também são vazios
Com a opção de que se realizem
Alavancas para o entendimento
Trazem o verde da esperança
Mas podem mudar todos os dias
Ao sabor do vento e da estação
Promessas são compromissos
Crenças na verdade e nos laços
Não são a água que corre no rio
São as nuvens que podem trazer chuva
A emoção da certeza sem confirmação

José Gomes Ferreira

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publicado às 15:38

Digo não ao negacionismo

por José, em 29.01.24

Na sociedade portuguesa, havia até aqui a ideia de um amplo consenso político partidário quanto às origens humanas das alterações climáticas e à urgência da intervenção dos governos, assim como quanto ao papel absolutamente decisivo da ciência. Disse havia, pois a formação de cientistas de Facebook, marcados pela sua alucinação politica, deixam claro que esse consenso desapareceu. Existem dois fenómenos sobre os quais não podemos ser omissos: uma clara intimidação de quem defende a ciência; que resulta da tentativa de meia dúzia de quererem manipular a opinião pública com teorias negacionistas, fantasiosas e ofensivas para quem realmente foi para a escola para aprender. O argumento parece ser: se defendes a ciência és comunista. Como se a bosta de vaca fosse igual à de burro. Como acredito que o partido de militância desses senhores terá uma posição oficial é urgente que a divulgue. Por outro lado, a divulgação de notícias falsas é crime, seria bom as instituições e as próprias redes sociais ficarem mais atentas. Eu por mim não me vou calar.

* Desculpem usar outro formato, sou defensor do pluralismo, mas não de teorias da desordem.

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publicado às 15:37

Brisa nocturna

por José, em 29.01.24

Não tem vento na janela
Nem luz que afaste as formigas
O calor desfaz os melhores pensamentos
Parecem vinho arejado fora de tempo
E com a borra a sair pelo postigo
A calmaria é de aparente transição
O dia chegará ao fim para tudo continuar na mesma
Escutam-se ainda vozes
São os restos de domingo trazidos das igrejas
Talvez o padre tenha bebido outro vinho
Ou então não quis dar parte de fraco
Só o mordomo saberá a sentença
A janela continua sem vento
Sem a brisa de fim de dia
Sente-se apenas o murmurar dos cães
E o circular das crianças nas conversas
A Lua chega envergonhada entre nuvens
Lembra um castelo iluminado pelo lusco-fusco
E soldados substituídos por amantes de lentes escuras
Escutam-se algumas despedidas
Talvez tenham tempo de chamar o Deus Eólo
E prevenir que o suor desça da face sem desculpa

José Gomes Ferreira

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publicado às 00:19

Alerta

por José, em 28.01.24

Deixem-nos respirar na decisão
É muita a intimidação da propaganda
E da certeza legítima dos heróis
Trazem novas receitas ao patriotismo
E entendimentos que questionam a ciência
Não tarda vão reclamar o dever de obediência
E organizar paradas nas grandes avenidas
Não será por falta de informação
Não falta consentimento informado
Não resignarei perante essa disputa
Não com o silêncio que me pedem
E a desconstrução da realidade observada
O futuro é do pluralismo e do esclarecimento
A aceitação totalitária não traz novidades à democracia
Portugal é uma construção de todos
Não um privilégio de alas militares
Nem um feudo aristocrático de buzinas à janela

José Gomes Ferreira

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publicado às 13:31

Fraternidade

por José, em 27.01.24

Corre uma brisa do mar
Vem no abraço da terra
Tem alguém a chamar
É uma mulher em espera

Mal chega o imigrante no porto
Corre para bem longe
Um dos parentes foi morto
Ao desembarcar logo foge

O destino está traçado
Nas linhas da própria história
Tem clandestino idolatrado
E pobre esquecido sem glória

Anda esquecida a Civilização
De como se fez a Humanidade
Imita o amor numa canção
Esqueceu como era a fraternidade

José Gomes Ferreira

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publicado às 23:37

Viúvas de negro

por José, em 27.01.24

Corpos de lenço, bata e avental
E para cobrir a viuvez, o xaile
Marcas do luto e solidão perpétua
Tudo negro a esconder a angústia
E as lágrimas que correm no coração
Assim são as mulheres da minha aldeia
As que perderam os seus maridos sem aviso
Tal como a minha mãe, que se viu só com os filhos para criar
E na saudade remetida além fronteiras
A juntar a uma dor imensa a obediência ao padrão
E o auto-sacrifício para cumprir a expectativa
Falam em caminhadas em peregrinação e promessas
Não haverá tamanha obstinação e sofrimento que aquela trazida pela viuvez na desconjura social
Parece castigo duplicado quando a perda humana já corrói
Cresci junto de viúvas de negro
Sei o quanto o traje sempre foi repressão a um novo sentimento
E exigência de homens no cumprimento de uma fé mundana

José Gomes Ferreira

* No dia 4 de Fevereiro de 1977 a minha mãe tornou-se também ela uma viúva de negro, a juntar às minhas tia-avós e tantas outras parentes e vizinhas. Criticamos outras culturas por aparentemente não serem nossas, quando na raiz não faltam semelhantes. Respeito a opção da minha mãe, sempre fui contra. Teve uma vida sofrida, de muita luta, encontra-se bem no avanço da idade, mas essa resignação à busca da felicidade por submissão social custa sempre a aceitar.

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publicado às 20:35

Utopia

por José, em 27.01.24

Quando sorris a beleza aumenta e atinge a natureza
Até o pirilampo se surpreende com o teu brilho
És a Lua na proximidade da paixão
Tudo encanta e motiva na tua presença
És o candeeiro na calçada e a fonte de energia
A lanterna que indica o caminho e o próprio caminho
És o espelho de água e o raio de Sol que reflecte
Quando abraças és pureza e força
És o amor e amizade cantada pelos poetas
Não deixas nada de fora no teu afago
Consegues ser compaixão, fraternidade e sentido
A segurança que transmites é de quem tem um coração dedicado
Facilmente deixas que o que sentes se transmita
Não mostras fraqueza ou qualquer dúvida
O brilho, a beleza e o encanto resultam da confiança e entregue sem as barreiras da relação

José Gomes Ferreira

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publicado às 11:06

Viver socialmente

por José, em 26.01.24

As pessoas têm menos medo do silêncio
Da solidão premeditada pelo desejo de vida própria
Da busca da interioridade sem filamentos e explicações
Viver socialmente é uma encenação
Um teatro com regras diferentes dos ensaios
Chega a ser a padronização do absurdo
Tantas vezes mascarado de cortesia
Outras vezes meramente para fazer ver
Claro que precisamos viver socialmente
Mas a norma deixou de se preocupar com as regras da interacção
Passou a expor disputa e competição
Aparenta compaixão nas palavras, só que impõe um termo de conduta
Assemelha-se à burocratização da vida social para impor dogmas e atingir metas

José Gomes Ferreira

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publicado às 19:44

Canções de embalar

por José, em 26.01.24

Se as pessoas quissessem permanecer no antigamente não procuravam por uma vida melhor
É certo que a vida era mais tranquila e os laços comunitários mais fortes
Mas parem de romantizar a pobreza e o controle do Estado
Só foi bom para quem se beneficiou do patrimonialismo da dádiva
Os restantes foram para a guerra ou seguiram ilegais para o estrangeiro
A ideia de que não havia corrupção é pura ilusão dos distraídos
Era o próprio Estado a dividir as benesses pelos comparsas
Agora o que mais tem são discursos patrióticos para cidadãos obedientes
Andamos a confundir desenvolvimento com veneração e propaganda
Claro que nem tudo correu bem
Só que o caminho não é de volta, é de fortalecimento
Cuidado com as canções de embalar
Foram feitas exactamente com o objectivo de levar o outro a adormecer

José Gomes Ferreira

*Não me envolvo em militância partidária, não deixo de expressar o já vivido e o que penso ser ou não o caminho a seguir.

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publicado às 12:12

Vivências de outros invernos

por José, em 26.01.24

Cresci à lareira, não era com os pés descalços, mas com calçado velho, colocado após trocar o que trazia da rua. Não me digam que era bom o romantismo da pobreza. Na época crianças e jovens do campo usavam botas de couro cru com sola de borracha. Eram talvez das primeiras botas produzidas em série. Eram de péssima qualidade, frias como a alma do pecado, péssimas para impedir a entrada de água. Diziam: "bota sebo que não entra água". A função impermeabilizante acontecia, mas muito parcialmente. E com o sebo era geralmente feito a partir de gordura de borrego, lançava um cheiro horrível, que atraía tudo, menos as miúdas bonitas da escola.

Como cresci muito rápido outro problema eram as crateras abertas de lado nas botas. O dedo mindinho do lado direito cresceu com defeito. De facto cresci muito depressa, com 11 anos fui tirar o cartão de identidade media na época 1,55. Não me lembro do número de calçado, mas já rondaria 40. Estabilizei no 43 por volta dos 16 anos, com essa idade também já rondaria 1,80. A partir daí não cresci mais, excepto o típico crescer para o lado e para a frente. Essa rapidez de crescimento repercutia-se tanto no calçado como na roupa.

Ainda sou do tempo da roupa mandada fazer no alfaiate, lembro de entrar no atelier de dois alfaiates da aldeia. O último fato completo foi mandado fazer em 1977. O meu pai tinha falecido e era importante tirar uma foto dos dois irmãos para a minha mãe que permaneceu alguns anos mais como imigrante em França.

Lembrou-me de no outro alfaiate mandar fazer umas calças de ganga, de tecido cortado pelo alfaiate, foi antes da generalização do pronto-a-vestir. As feiras mensais e algumas casas de comércio da vila passaram a alinhar com moda, só não havia dinheiro. Os alfaiates acabaram por desaparecer enquanto actividade na aldeia, tal como muitas das mulheres costureiras. A facilidade em adquirir roupa à medida não veio acompanhada de meios financeiros. A condição de órfãos associada à crise da década de 1970 e do apertar do cinto do início da década seguinte colocavam algumas restrições.

Antes do seu regresso permaturo, a minha mãe começou a trazer roupa nova. O problema na época é que roupa nova era para os dias de festa ou para guardar. Na prática muita roupa nunca chegou a ser usada. Nos anos recentes, ao vasculhar os armários encontrei duas camisas completamente novas, por sorte adoro aquele corte retro discreto e trouxe para usar. Na época o princípio era "antes com roupa cosida que com a barriga vazia". Talvez por isso ainda hoje não seja exigente na aparência, mas na época era um exagero. Tinha a grande vantagem de limitar qualquer tipo de desperdício. Hoje a roupa dura pouco, tem por vezes uso limitado e vai-se amontoado até ser colocada no lixo ou nos contentores de organizações que a recolhem.

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publicado às 00:05

Mormaço

por José, em 25.01.24

Está um calor que apoquenta
Já não sei bem o que faço
Cada hora segue mais lenta
Está difícil aguentar esse mormaço

José Gomes Ferreira

* Mormaço significa calor abafado, é a ideia "que caloraça", mas com elevada humidade do ar. Na verdade a temperatura chega, na pior das hipóteses a 35°, esta semana pode não ultrapassar 30°, mas o calor é infernal dada a humidade.

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publicado às 17:29

Restolho

por José, em 25.01.24

O restolho nunca é o vazio
Nem os restos de uma colheita
Com sementes esquecidas e a terra em espera
Para muitos seres é a mesa posta
A excelência da refeição
É também o instante em que nada mais sobra
E que do solo despido brota nova vida
O restolho é a transição
O início de um novo ciclo
O renovar da esperança para futuras plantações
Tal como nos encantamentos humanos
O fim de um amor não é o fim do sentimento
É o momento para parar e repousar
Mas a vida continuará em permanência
Para que de corações abertos surjam novos laços

José Gomes Ferreira

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publicado às 15:51

Sorrio

por José, em 25.01.24

Sorrio para dentro
Colado ao teu olhar
Sorrio para as flores
Acompanho o despertar

Sorrio sem medo
Se não me travo de razões
Sorrio por osmose
Toco o silêncio dos corações

Sorrio à chuva e ao luar
Em qualquer momento
Sorria mais se estamos juntos
E se te guardo no pensamento

Também sorrio descarado
Como quem se liberta
Sorrio do ventre à maturidade
Desenho a atitude certa

José Gomes Ferreira

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publicado às 07:10

Cúmplices

por José, em 25.01.24

Estamos a ser cúmplices de um genocídio
E dirigidos pela nossa simpatia política aplaudimos de pé
Gaza não tem qualquer desculpa
Netanyahu quer permanecer impune no poder
E quer celebrar a conquista de mais territórios
Quer petróleo, minérios e povos submissos
E mostrar que o mundo é dominado por facínoras
Não adianta colocar a religião ou etnia no prato
Trata-se de massacre para se babar com o sangue
Um ser fraco precisa de humilhar e matar para se sentir grande
Mas nunca será grande com o peso de tanto assassinato na consciência

José Gomes Ferreira

* obviamente sei que o tema é polémica, não deixo de o abordar.

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publicado às 00:18

Quem desdenha não quer comprar

por José, em 24.01.24

No ideal-tipo damos prioridade à fraternidade
Tal como à saúde, paz e felicidade
Ao amor como padrão das relações e do equilíbrio
Só que nem tudo é o que parece
Na prática sobram narrativas sobre a vida alheia
Desconjuras e invejas a desejar mal
Risos e torcidas face ao desgosto dos outros
Dentro das próprias famílias a competição é pelo que não dá certo
Precisamos de nos retratar antes de bisbilhotar
Somos primorosos na escolha de destinos para os outros
Na aldeia ou no bairro sabem mais da nossa vida que nós
Tem quem goste de acrescentar muito conto ao que lhe contam
E quando se vai a saber estamos casados sem ter noiva
Ou caímos na miséria sem dela ter saído
O pior de tudo é que narrativas a dizer bem só se contam na hora da morte
Em vida o povo escolhe o desdém para alimentar as conversas
Quando partimos viramos pessoas de bem que fazem falta
Ao contrário do ditado quem desdenha não quer comprar
Apenas alimentar divergências para ganhar centralidade

José Gomes Ferreira

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publicado às 12:29

Geração de cristal

por José, em 23.01.24

O Sol tem chegado em brasa
Chove nas intermitências
O corpo pendura-se desgastado
É verdade que não precisa do aconchego de muita roupa
Mas deixa os ossos e os músculos trémulos
Desgastados de funcionar a altas temperaturas
Pior são os pensamentos que se escapam
Pior é o amor que não chega a latejar no coração
O calor é apenas o palco dos sintomas
Tem condições que adensam as expectativas
O quotidiano precisa de rápidas melhoras
Dizem que esta é a geração de cristal
Que de nada e de tudo nos queixamos
Acredito que essa denúncia tenha uma estética
O problema não é a definição do gosto
É a imposição de um padrão de aço
Em que todos são fortes e bem sucedidos
Em que a demência é apontada sem confirmação da verdade

José Gomes Ferreira

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publicado às 10:40

Homens que voam

por José, em 23.01.24

Os pássaros que voam são liberdade
Desejo fecundo de subir onde ninguém chega
Realização de vida muito desejada
Outros prendem-se junto ao ninho na pausa do voo
Não adormecem na escolha por protecção
Procuram comida e arte no colorido materno
Os homens que voam vivem todos os sonhos
Não são aqueles que se proclamam livres
E vivem sós na ganância do acto
Os homens que voam são seres de bondade
Espelhos fraternos de como deveria ser o mundo
Amantes e protectores dos seus e semelhantes
Os homens que voam são utopias
Não são feios ou bonitos, ricos ou pobres
São aqueles sempre presentes e que ficam na memória

José Gomes Ferreira

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publicado às 00:02

Vendem-se votos

por José, em 22.01.24

As escolhas inteligentes não são as inevitáveis
Escolher pelo impulso da saturação é uma péssima escolha
Escolher a partir da publicidade não garante que o produto seja bom
Um produto antigo já conhecemos os defeitos
Um produto novo pode luzir mais, mas não servir para nada
A promoção de muitas qualidades deixa a dúvida se o produto realmente funciona
Se o produto foi adquirido pelos vizinhos não compre sem que estes relatem os resultados
Seja mais inteligente que os vizinhos, compre realmente o que é bom, não o que a propaganda propõe
Compre um produto para todas as horas, não apenas para colocar no estendal
Não esqueça que quem melhor dá música pode não saber dançar

José Gomes Ferreira

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publicado às 07:39

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