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Onde está o amor

por José, em 24.12.23

Onde está o amor em cada dia
Onde poderá andar sem se revelar
Está onde flui toda a magia
E onde tem o sonho de um lar

Onde está o amor que transforma
E o brilho da sedução
Apresenta-se de muita forma
Começa por ser imaginação

Encontro o amor na poesia
Encontro também a minha paixão
Podem achar que é mania
Porém o que digo é de coração

Encontro o amor em cada canto
Desde que não me faltem argumentos
Não tenho tempo para pranto
A reciprocidade ocupa-me os pensamentos

José Gomes Ferreira

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publicado às 11:20

Um xaile para cada sermão

por José, em 23.12.23

Nasci a meio da década de 1960, o Pai Natal não tinha sido inventado em Portugal, na verdade a Coca-Cola foi permitida mais tarde. As honrarias eram ao Menino Jesus, mas não se pense que o povo prestava obediência ao padre, a fé popular muitas vezes era à revelia. Apesar do padre, do farmacêutico e do médico se destacarem como figuras centrais dos municípios o povo muitas vezes só aparecia nas romarias e procissões, assim como antes dos casamentos e baptizados.

As prendas eram o pouco que os nossos pais, emigrantes em França ou na Alemanha, conseguiam enviar. Às vezes nada, mas sempre o par de meias era colocado no sapato/bota junto à lareira no dia 24. Na melhor das hipóteses uma moeda de 5 escudos, que na época era uma quantidade a que nem sempre se tinha acesso. Se fosse uma camisola nova de pronto-a-vestir ou um chocolate era o delírio. As camisolas tricotadas manualmente não causavam emoção.

O principal momento, que recordo com saudade, era quando as três irmãs se juntavam para jantar. Cada uma usava o seu típico xaile negro para enfrentar a viuvez e a invernia. Na verdade, uma das irmãs, a Teresa, apenas perdeu o marido no início da década de 1980, mas enviuvou muito jovem do primeiro marido devido a um acidente de trabalho.

A minha avó era a mais nova das irmãs, era também a mais conciliadora. Razão pela qual, nas suas diferenças, conseguia reunir as irmãs na noite de Natal. Tenho muitas saudades desses momentos e de todas as vivências que me permitiram. Tinha uma excelente relação com todas, aprendi muito com elas.

A Olímpia era uma pessoa solitária, criou os filhos, que emigraram para vários destinos, pelo que levava uma vida solitária entre a casa e uma fazenda propriedade de um filho. Perdeu uma filha de meia idade, o que a marcou ainda mais. Cantava muito bem e contava muitas histórias de vida. A Felisbela levava uma vida simples, tinha algumas limitações na visão, problemas com cataratas que na época não tinham solução. Criou filhos e filhas, assim com pelo menos duas netas e bisnetos. Não teve uma vida fácil, foi até hoje uma das pessoas com melhor coração que conheci.

Claro que adorava a minha avó, sempre mais racional e moldada para a vida no campo. Era uma mulher com M grande. A minha mãe juntou-se ao meu pai nos meus 5 anos. Eu e o meu irmão fomos criados pelos nossos avós maternos. Nunca ocorreu a chamada "reunião familiar", ou seja, a nossa ida para França. Nos primeiros dias de Fevereiro de 1977 o meu pai perdeu a luta contra a leucemia. À parte da grande luta da minha mãe, a minha avó sempre foi uma referência.

Com ele segui o rebanho que possuía na época. Vi com fazia queijo e requeijão. Acompanhei vários momentos bons e maus. O meu "avô de casamento" também me marcou, era eu que o acompanhava sempre. Depois também partiu e mais uma vez as fazendas e a casa ficaram com ela. Sempre realizou actividades ditas masculinas, com a poda das videiras, mas também a matança do porco de vários familiares.

Aqueles instantes à lareira e mais tarde ao fogão a lenha, poderiam ser atiçados nas diferenças de génio, mas todos os anos se repetiam. Na época tirar fotografias era um luxo, guardo a sua presença na memória.

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publicado às 23:25

Mudança

por José, em 23.12.23

Com o sangue da terra e o coração de gente
É nos movimentos que mais sentimos saudade
E queremos fortalecer as raízes
Receamos sempre a mudança
Ficamos apáticos e na expectativa
Gostamos da descoberta e do mistério
A incerteza deixa um aperto na barriga
Apesar disso a mudança faz bem
Tira-nos das concepções monocromáticas do universo
Chega-nos com novas paisagens e novas sílabas
Novas possibilidades de criar laços
E de mostrar a experiência das nossas vivências

José Gomes Ferreira

* O início de 2024 pode levar-me a mudar, total ou parcialmente de cidade neste enorme país onde obviamente sou estrangeiro, mas no geral muito bem acolhido. Não será uma ruptura total, vamos ver como vou dar conta do tempo, das distâncias e do facto de não conduzir, o que nunca foi problema de maior.

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publicado às 17:12

Presépio da guerra

por José, em 23.12.23

Não escolhem drones ou obuses
Nao escolhem o instante e a destruição
São apenas os alvos a suprimir
Famílias sem membros, pessoas sem membros
Seres sem auxílio e com feridas expostas
Não tem Natal para todos
Uns renascem enquanto outros perdem a vida
Não é o destino que as leva, é o ódio
O prazer da disputa oferecido como presente
Ninguém pode festejar de consciência tranquila
É a Humanidade que se baba de sangue

José Gomes Ferreira

* Não, não tenho qualquer trauma com o Natal, tenho boas recordações, sobretudo da aldeia, na qual continuam a fazer a fogueira de Natal (madeiro), mas não existe Natal sem o universalismo da empatia e fraternidade. O meu umbigo não faz o Natal, mas o sentido de comunidade. 

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publicado às 10:33

Magia do Natal

por José, em 22.12.23

Falar na magia do Natal é desfigurar os dias
Actualmente é mero acto de consumo e reciprocidade induzida
A magia de que falam é a magia da vida
A oportunidade de renascer e ser parte da luz e da alma
A centelha de fraternidade e gratidão
A generosidade sem meio de troca
Toda a aptidão para o universo
A empatia para além da reprodução instrumental do abraço
A confiança entre seres iguais como padrão
O genuíno sobre a ostentação
A magia do Natal está no amor quotidiano
E na liberdade em aplaudir a felicidade do outro
Não precisa de uma figura ociosa
Nem de se infiltrar nos sonhos das crianças

José Gomes Ferreira

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publicado às 19:38

Anomia

por José, em 22.12.23

A maturidade não me cala
Porém, deixo de lado argumentos atravessados
Facilmente as utopias vencem e as vacas escondem o amoijo sem crias
O mundo deu várias cambalhotas
O tema interessa ao meu entendimento
Só não o quero colocar nas minhas inquietações
Assisto a desaires e manipulações
Calo-me aparentemente perante impropérios
Tantas coisas teria para dizer
Acabaria por agir sozinho e sofreria as consequências
Ousar questionar não é mais atrevimento
É abrir uma guerra desnecessária
Não sei como caímos nisto
Na anomia dos bandeirantes agarrados a ilusões

José Gomes Ferreira

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publicado às 17:14

Rede social

por José, em 22.12.23

Com mais ou menos nódulos de ligação
Com mais ou menos intensidade e frequência
As minhas redes sociais preferidas são analógicas
Por vezes a própria fila para a caixa de supermercado
A mesa de partilha de um café
A sala de aula nos seus desdobramentos
Os momentos de reunião e iniciativas de extensão
A caminhada no passeio da avenida
A participação em congressos e outros eventos
A ida ao parque para escutar o silêncio
A minha rede social pode não ser magnética
Mas é o que me motiva no movimento e na esperança

José Gomes Ferreira

 

Nota posterior: referi situações, pelo que não referi amigos, família e vizinhos. Esses "não são" rede social, são rede sanguínea. 

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publicado às 16:21

Malícia

por José, em 21.12.23

O amor encosta-se à malícia
Como chuva magnética
Não tem flor com melhor honraria
E atracção na surpresa dos amantes
Abraçam-se e beijam-se com o descaramento húmido
Apertam as cores sem extrair os aromas
Libertam folhas sem gemidos
A trovoada ligeira oculta as palavras
Esconde também os pássaros
E qualquer pensamento navegante
No silêncio são apenas visíveis duas carcaças
A paixão inflama a passagem dos instantes
O amor somente repara em si
Musculado de sentimento fixo
E de desejo consumado nas pequenas ramagens

José Gomes Ferreira

Malícia ou dormideira, um pequeno arbusto/flor silvestre muito comum por aqui.

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publicado às 10:44

Noites de inverno

por José, em 20.12.23

A noite silencia os afagos e a companhia
Já ninguém guarda ninguém
Latem as pálpebras raivosas
No tremor da invernia
Fazem-me como fogões apagados
Em tertúlia de corpos rígidos
Em que só os dentes se escutam
Tocam uns nos outros
Não sentem a temperatura
Quase choram de amor
O frio deixa tesos os olhos másculos
Enganados pelos lençóis enrolados
Os orgasmos são adiados para outra estação
Ninguém se mexe para escrever as palavras
Nem para registar as promessas
A escuridão desconhece a geada que cai
É a imaginação que tomba na calçada
Escorrega na lâmina frisante do granito
Entorpece as folhas das oliveiras
Pela manhã haverá um novo tapete branco
A natureza substitui a dorsal
Irá mostrar-se espinhosa
De raiz métrica tapada com gelo
Nós permanecemos imóveis
A lembrar cadáveres para identificação
O gosto pela luz e pelo azul são esperança de reacção

José Gomes Ferreira

* Neste final de ano estou em outras geografia, mas esse é um pouco o panorama das noites geladas lá próximo da Serra da Estrela. 

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publicado às 23:55

Um amor e uma cabana

por José, em 20.12.23

Sonhei com um amor e uma cabana
E a paixão para toda a vida
Do amor mandaram-me abrir a pestana
Da paixão dizem ser esperança perdida

Ainda assim continuo a acreditar
Sobretudo na paz dos sentidos
A pior reacção é hesitar
E lamentar os minutos perdidos

Sigo com os olhos para o céu
Para ter firme o coração
Haverá sempre bruxas com véu
E inocentes à espera de perdão

José Gomes Ferreira

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publicado às 20:51

Prenda no sapatinho

por José, em 19.12.23

Actualmente tudo acontece sem história
Sem o enredo vivido na lentidão dos dias
Tal não significa que outrora é que a vida era boa
Apenas que se conheciam e reproduziam os enraizamentos
A época natalícia tinha vários costumes
Um deles era o da prenda no sapatinho
A oferta de prendas é bíblica
A forma de o fazer depende de cada comunidade
Na minha aldeia o sapatinho era por vezes uma das botas
Quando nasci ainda tinha quem não tivesse calçado
Na melhor das hipóteses usava um par de tamancos para enfrentar a geada
A bota era colocada em redor da lareira para o Menino Jesus presentearbo dono
Um par de meias e uns rebuçados e sorríamos felizes

José Gomes Ferreira

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publicado às 23:07

Saudade

por José, em 19.12.23

A saudade não está da porta para fora
Está onde bate o coração
A causa está na aproximação que demora
E na vida que não tem repetição

Tem momentos em que a gente chora
Tens instantes de uma feliz recordação
Saudade é mais do que sinto agora
É felicidade em jeito de sofreguidão

Saudade não é apenas distância
É o sentimento mais puro
Tem a narrativa de uma fragrância
E a expressão de um homem maduro

José Gomes Ferreira

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publicado às 15:44

Em sentido

por José, em 19.12.23

Os cães ladram de novo
O amor também os inquieta
A Lua escreve no céu a emoção
Não importam as certezas
Existe fidelidade do carácter
O brilho serpenteia a paz
A observação não nos deixa indiferentes
A sedução é abstémica
Limpa lágrimas para sentir o toque
Beija no espaço das estrelas
Os vizinhos reservam-se aos aposentos
Apenas a minha imaginação vagueia
Procura os alicerces de velhas construções
Tem esperança no futuro e na transformação
Nunca esquece a beleza do construido
Os cães ladram, não escutam as viúvas
E o espírito da noite para vir
Rejeitam o silêncio silvestre
Querem fazer ouvir-se em prantos

José Gomes Ferreira

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publicado às 00:03

Fadiga

por José, em 18.12.23

Por vezes sinto-me cansado
Defundo da fadiga e do caminho sem pausas
Cansado sobretudo das representações
E dos azimutes da sorte de favor
Cansado da retracção da bondade
E da leitura enviesada da moral
Tantas vezes escondida em costumes repressores
E que sempre favorecem quem manda
Por vezes sinto-me cansado da mentira
Do dilúvio das relações interpessoais
Ultrapassadas sem ter tempo de arregaçar as mangas
Cansado das imposições do destino
E da burocracia dos afectos
Da obediência dos pobres aos ditadores
Na exigência de critérios de comunhão
Queria tanto ignorar tudo isso
E ser feliz sem choro e lamento
Enquanto tiver saúde e forças usarei o direito ao cansaço
A reacção do corpo ao descontentamento do progresso

José Gomes Ferreira

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publicado às 21:46

As perguntas que a mim faço

por José, em 17.12.23

As perguntas que a mim faço
Só o destino pode responder
Se é proibido proibir passo ileso
Quero apenas salvaguardar a liberdade
Também não vou tirar a mordaça do amor
Tantas vezes dói e engana
A rectidão não se dá com as paixões
O coração é o maior doidivanas
Que ultrapassa todas as purgas e obrigações
Sobretudo quando aperaltado pelo desejo circunscrito
Não respondo às minhas perguntas
Nem às soluções de dívida do universo
A Humanidade é que escolhe o seu padrão
A culpa e o perdão não são aleatórias
Obedecem sempre ao flagelo reprimido da moral
Até os pássaros presos na gaiola são mencionados
Tem um princípio de regra e tem a transgressão que a repetição aceita
A lealdade depende do carácter e não do sentimento

José Gomes Ferreira

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publicado às 23:51

Solidariedade e empatia

por José, em 17.12.23

O Natal deve ajudar a recuperar o humanismo
E perdurar como exemplo de bondade e amplitude da vida
Agora transformado em mera luxúria para divulgar nas redes
Mesmo a solidariedadezinha assistencialista de ocasião
Sem esquecer tudo o que se apregoa na defesa da natureza
A fogueira de Natal ainda representa o respeito pela grandeza do universo
O acto consumista é um ultraje às tradições e consciência ambiental
Não haverá paz sem solidariedade e empatia
Essa necessita ser a missão do Natal
Mas não apenas para a noite de dia 24
Feita de gratos convivios beneficentes
Apresentam a quadra glorificando a magia do Natal
Porém já quase nada é nosso das festas
Salva-se a beatitude da gastronomia
Tudo mais é pasta de papel com bebida gaseificada
O Natal deve representar a força dos laços nas comunidades
E a prova de que a felicidade está no simbolismo dos actos comuns
E não na corrida à reticência material da existência

José Gomes Ferreira

*Coloquei com formato de poema mas é mais crónica ou poema-crónica.

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publicado às 16:23

No Natal nunca estou só

por José, em 16.12.23

No Natal nunca estou só
E não é pelo apelo das televisões
Nem pelo clamor da santa fé
Ou da gratidão dos presentes recebidos

O Natal é todo um balanço
É quando o coração se mostra
E dá vazão ao escrutínio da memória
A afectos e tradições felizes

No meu Natal ainda tem a fogueira
Que junta o povo no largo da aldeia
É o Natal dos humildes em mesa farta
E que venera a natureza e pede coragem

José Gomes Ferreira

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publicado às 20:45

Nome das coisas

por José, em 16.12.23

Não adianta fingir o amanhecer
E o amor que não se constrói
Não adianta resistir à emoção
E ao pretérito das coisas a viver
Ao lançar uma jangada ao mar a expectativa é navegar
É fácil de entender a inspiração
Desde que tudo seja fácil de alcançar
Não adianta lançar veneno se desejamos amar
Tem lábios doces em corações receosos
É preciso convocar os sentidos
E não chamar de amor ao sonho
Ao universo criativo do desejo da imaginação
Confiar é garantir a assertividade da conjuntura
Ser leal é definir a linha que não se quer transpor

José Gomes Ferreira

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publicado às 00:38

Libertação

por José, em 15.12.23

Vou com o coração de ferro
Por um caminho ainda sem gente
Com pontos negros e foguetes no ar
Alinho-me com a história e as finanças

Viabilizo a reciprocidade e a recuperação
Desde que o coração não se aflija
Tem certezas que só chegam na corrida
Nada é dado como um todo permanente

Queria seguir no bloco e na zoada
Como numa marcha capaz de libertar
Com riso fácil e solto na fanfarra
E não ficasse o corpo agarrado ao destaque

José Gomes Ferreira

 

* Zoada - muita confusão, barulho, "grande granel".

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publicado às 23:36

Desesperança

por José, em 15.12.23

O que me entristece mais não é a saudade da distância
Nem o capitular face ao possível infortúnio
São as prosas aceites como banais, mas que dilaceram a dignidade humana
O passar do rodo para impor uma nova legitimidade
A política, o dinheiro, a religião e o futebol unem-se contra as virtudes universais
Passa a valer tudo à descarada
Mesmo o ódio ao pão que falta a quem precisa
Esse não é o destino que os homens bons sonharam
Andamos a deixar falar quem tem raiva e a calar quem tem o dom de trazer felicidade

José Gomes Ferreira

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publicado às 20:47



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