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Ajustes

por José, em 30.09.23

Nunca hesitei perante a voz do coração
Não tinha nada a temer
Acreditava viver um grande amor
E que o destino dele se encarregaria

Hoje tenho sobretudo o Sol para ver
No brilho que me guia a qualquer hora
Mas também na imensidão que me acalma
E na lucidez em que deixa as coisas

O amor guardo-o para as certezas da imaginação
A crença agora está na positividade do caminho
Sem excluir paixões e aromas extasiantes
Porém entregue a conhecer, visitar e articular

José Gomes Ferreira

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publicado às 18:26

Síndrome da auto-estrada

por José, em 30.09.23

A ambição está a mudar-nos
Por vezes somos como auto-estradas
Circulamos em boas vias na velocidade máxima
Deixámos de ter pontos de paragem espontâneos
E de viver o que se apresenta
Paramos apenas para abastecer e para satisfazer as nossas necessidades
Pagamos para circular na pressa de chegar
Não olhamos para o lado e não escutamos quem nos fala
Acreditamos que o céu é o limite
Mas vivemos alheados do que se passa à nossa volta

José Gomes Ferreira

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publicado às 11:05

Embriaguez

por José, em 30.09.23

Gosto de vinho e licor de mel
Gosto de cerveja e amarguinha
Mas embriago-me de vida
E do caminho da existência
Também me embriago de amor
Sou embriagado de trabalho
E de lutas e identidade
Embriago-me de convicções
Bem como da paz da natureza
Da leveza das plantas
E das correntezas do mar
Embriago-me de pessoas marcantes
E de memórias eternas
Tal como me embriago de luz
Do espelho de água que reflecte
E da paisagem das horas
Sou feliz na embriaguez do infindável horizonte
Só não embriago a lucidez
Dou a entender que aceito tudo
Pois a minha embriaguez é pelo que vale a pena
Não me embriago por rasteiras ou troques
Embriago-me pela paixão que faz vibrar as horas
A minha embriaguez é de encanto e felicidade
Não é para aplaudir o jeito que faz o sorriso

José Gomes Ferreira

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publicado às 00:09

Não sou o poeta militante

por José, em 29.09.23

Não sou o poeta militante, a sua obra e génio são insubstituíveis. Não tenho vontade de o imitar ou usá-lo para diálogos autorais.Também não partilho nada por ele. Tudo o que está neste blog e outros escritos são narrativas que o quotidiano me permite e a imaginação o possibilita na troca por palavras, ou seja, sou eu em carne viva, não o ídolo da militância. Não tenho expectativa de visibilidade nesta partilha, uso-a para arquivo e para mostrar outras dimensões do ser, da paz e das interacções. Todos temos ambição, mas de momento a paz e a luz são suficientes. O amor vai e vem, como vento e coração a bater no peito. Os olhos não imaginam a luz. Só a saudade me reinventa e auxilia. Não te trata de analisar o meu percurso, as vitórias e lisuras. Mas apenas de percorrer o alfabeto e deixar instantâneos para não vacilar no abraço. Apesar da coincidência de nome não sou o poeta militante. Foi o nome dado pelos meus pais, que nada sabiam sobre o grande o poeta e no máximo queriam um José sem medo.

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publicado às 01:26

Percepções

por José, em 29.09.23

Com o meu ar esgadelhado
E o meu sorriso contido
Talvez pensem que sou afectado
E que o meu silêncio não faz sentido

O que conta é como me sinto
E como renovo a energia
Se sou feliz e sucinto
E transformo a vida em poesia

Se por algum motivo me atrapalho
E as palavras são ditas com relutância
Levo a pensar que não trabalho
E vivo entregue à mendicância

Sorrio quando penso em qualquer estigma
Lembro um amor que não me vai querer
Rio quando sou tema de enigma
E sei a quem efectivamente recorrer

José Gomes Ferreira

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publicado às 01:04

Rapa o tacho

por José, em 28.09.23

Parecem memórias dos outros
Mas na verdade são acontecimentos
Alguns ainda muito recentes
No campo usei tempres e tenazes
Usei duas pedras para colocar o tacho
Fiz uso da fogueira para colocar uma panela com pernas
Soprei para acender o lume
Usei pinhas, caruma e paciência
Os pratos eram de alumínio desgastado
Não era para um almoço de faca e garfo
Uma vez esquecemos os talheres, usámos a côdea da broa como alternativa
No poço ficava o garrafão do vinho preso por um cordão
O tacho fervia enquanto se continuava a trabalhar
Na fazenda ficava sempre um saco com sal
Na época da fruta não faltava sobremesa
O mesmo acontecia com tomate ou pepino
No seu voo rasante também apareciam insectos no prato
O lema era sempre o mesmo: "o que não mata engorda"
Retirava-se o animal e prosseguíamos

José Gomes Ferreira

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publicado às 15:18

A sua benção Mãe Terra

por José, em 27.09.23

É no seu ventre Mãe Terra
É do seu ventre que se faz vida
Que tudo cresce e regenera
Que tudo é ponto de partida

A sua benção Mãe Terra
Perdoe tanto pecado
O ser humano também erra
E por dinheiro fica obcecado

A sua benção nossa Deusa
Mártir de tanto descaso
Deveria ser a nossa causa
A lucidez chegará com atraso

José Gomes Ferreira

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publicado às 19:08

Empatia

por José, em 27.09.23

Tantas vezes é o toque
A carícia da pele macia
A palavra doce solta
A luz que não se açambarca
Tantas vezes é a melodia
O entendimento sem julgar
A fragrância desentendida
Pouco importa se é velho
Nada importa se é pobre
Aceitar o outro é ser feliz
É partilhar a mesma água pura
As classificações não contam
O que conta é a justiça
E a empatia na interacção

José Gomes Ferreira

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publicado às 11:09

Regras para viver em paz

por José, em 26.09.23

Foque nas estrelas e na paz da natureza
Observe a leveza das estações
Aprenda com a subtileza dos elementos
Feche os olhos para fotografar a luz e o encanto das flores
Escute a água da chuva e o correr dos rios
Aprenda com o passar das nuvens e dos dias
Ignore a coscuvilhice sobre a vida alheia
Não dispute o palco com quem busca sucesso
Siga na procura de novas oportunidades e histórias para a vida
Ampare quem se inspira na sua experiência
Aprenda a cativar com o brilho dos olhos e das palavras
Sorria com a alma e com emoção
Liberte-se de dogmas e do perdão
Consuma apenas o que trouxer felicidade no proveito
Escolha caminhos que se cruzem com quem o acompanhe
Sonhe muito e realize o que a imaginação transforma
Deixe o coração aberto, mas com a janela fechada
Descubra o mundo a partir da sua descoberta

José Gomes Ferreira

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publicado às 11:54

Marco temporal

por José, em 26.09.23

É muito trépida a leitura
A história não é toda fama
Vejam bem a literatura
Tem muito heroísmo na lama

Se um diz conquistou
O outro sabe que foi ocupado
Importa lembrar quem matou
E quem foi efectivamente poupado

Não existe marco temporal
Nem respeito entre povos
Também não existe princípio moral
Que tire a propriedade aos mais novos

Ainda assim resta a conciliação
Não se pode simplesmente ocupar
Quando vai longe essa filiação
De nada serve cada um se desculpar

Insistir no argumento não traz justiça
Importa carregar o passado ao ombro
Integrar tanto a raiz indígena como mestiça
Assumir a pertença de cada membro

José Gomes Ferreira

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publicado às 01:18

Cinco sentidos

por José, em 26.09.23

Será a minha alma a luz que me dá vida
E revela os pronunciamentos do território
Deixo por isso que os sentidos se soltem
O céu rasante traz o Sol majestoso
No meu peito revela-se ainda a ternura
Chegaram-me ao ouvido importantes conversas
Eram pássaros a aproveitar a Primavera tropical
A moverem pelos céus a êxtase do colorido
Ajudando a libertar os aromas da juventude e criação
Nada mais potente para a liberdade que ouvir a natureza
Nas minhas mãos palpita o último aperto e o lugar da última carícia
Perante tanta beleza o amor também floresce
Da minha boca escuta declarações ao destino e à perfeição da evolução

José Gomes Ferreira

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publicado às 00:03

Reconceptualizar

por José, em 25.09.23

Natureza é tudo o que existe, incluindo os humanos
Corresponde à beleza de todas as coisas, o visível, as crenças e a imaginação
Ambiente é o que existe, mas pode ser destruído ou preservado pelos humanos
É a grande oportunidade para todas as espécies
Não fosse a tentação do dinheiro
Sustentabilidade é a visão dos políticos e da economia sobre a natureza
Diz respeito ao reducionismo dos conceitos para intervir
É o mesmo que passar a boiada, mas na subtileza do argumento
Adaptação é empurrar para a frente o que podíamos evitar
É agir perante o risco iminente de uma catástrofe acontecer

José Gomes Ferreira

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publicado às 16:49

Politiquices

por José, em 25.09.23

Tenho políticos à minha beira
Vejo bocas para alimentar
Não tem milho a secar na eira
As notícias mandam o povo aguentar

O pior político é aquele sem cargo
Não tem poder nem ambição
Coloca a propaganda ao seu encargo
Na ilusão de salvar a nação

O problema não está na matriz
Nem no eixo esquerda ou direita
A comunidade quer é água no chafariz
Pouco importa quem manda na seita

José Gomes Ferreira

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publicado às 01:13

Divagações escolhidas

por José, em 25.09.23

As flores que te dei
Foram amor do meu jardim
Quando as colhi foi em ti que pensei
Não as cuidei só para mim

Os beijos que te prometo
Lembram o colorir das borboletas
São declarações que a ti submeto
Assinadas em pergaminhos violetas

Os suspiros que lanço
São apelos ao Cupido
São perguntas para saber se avanço
Hesitações para encontrar sentido

José Gomes Ferreira

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publicado às 00:56

Pecado

por José, em 24.09.23

Não é o teu corpo que exala pecado
A beleza tem valor estético e fisiológico
O pecado está na inconfidência
E na rotulagem dos actos
Sai da tua boca e dos teus padrões
Não tenhas medo da carne
O pecado não está na matéria
O pecado está na ordem de restrição
Na pressão para a classificação
E no verdascar da tentação

José Gomes Ferreira

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publicado às 16:11

Caça às bruxas

por José, em 24.09.23

Cuidado com o mau olhado
Nas muitas coisas que contam
O bruxedo supera o pecado
As bruxas são narrativas do que representam

O povo usa os estereótipos
Para contar a sua história
Identificando personagens e tipos
Segredos que revelam da memória

Contra o mal usa rezas
Que excomungam o próprio Deus
Esses mitos são surpresas
Mistérios que surpreendem até os ateus

Só o povo tem a cura
Em palavras que só visto
Na certeza que o mal não perdura
E que representa o anticristo

Todos temos uma lembrança
Contada entre gerações
Pedindo para fazer uso da segurança
Pois qualquer descuido tem implicações

Se toda uma família é assim
Redobre-se a atenção
Corremos o risco de dar o sim
Sem conhecimento da relação

São relatos do campo
Trazidos por mulheres
Repetidos em qualquer canto
Só elas sabem esses dizeres

José Gomes Ferreira

* As palavras surgem na sequência da conversa telefónica com a minha mãe e na crença popular, particularmente feminina, da existência de bruxas na localidade. A partir daí teve uma pequena troca de impressões com outras pessoas da localidade e da região. Todos crescemos a escutar essas histórias. No plano nacional é bom lembrar Montalegre e o padre Fontes. São histórias que fazem parte dos mitos e fábulas populares, às quais podemos adicionar uma história vivida por nós.

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publicado às 11:38

Reciprocidade

por José, em 24.09.23

Não faço parte de tribos de Igreja
Nem de movimentos de reza
Raramente paro no boteco da cerveja
Gosto de observar o compasso da natureza

Vou e volto como transeunte
O meu coração lembra amor de passageiro
Fica em êxtase mal alguém se junte
Nunca é capaz de bater ligeiro

Faço de conta que escolho o prazer
Aventuro-me a enfrentar o vento
Nas tradições sou capaz de me benzer
Só não confundo empatia com sentimento

Não é por isso que não tenho esperança
Também não rejeito a fraternidade
Pois uma coisa é a tendência de cobrança
E outra é escolher a reciprocidade

José Gomes Ferreira

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publicado às 02:51

Saudade de permeio

por José, em 24.09.23

Da saudade o grato silêncio
O grito sem palavras e o suspiro
A espera do reencontro e do consolo
O apagar de lágrimas caídas
A nobreza dos laços que se reforçam
O reinventar do perdão face à penitência
A história vivida fora das geografias
O labor da conquista sem perder as raízes
As transformações ao ralenti
Com a vontade a disputar a aceleração

José Gomes Ferreira

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publicado às 00:42

Seguro a tua mão

por José, em 23.09.23

Seguro a tua mão, como trecho à margem
Como quem se declara e pede perdão
Seguro a tua mão firme, sem ter causas ou pedidos
Apenas por fazer parte do teu toque e sensação
E buscar na pele mais doçura, nessa energia que dilata e completa
Seguro a tua mão para completar o nosso mundo
Temos instantes de prazer e carne, de ruído e movimento
Tal como momentos de saudade e espera
Todos esses instantes são alimento, paixão e compostura
Mesmo assim seguro na tua mão como escolha de magia
Diálogo pelo tacto e telepatia completa
Com luz e foco que eleva a construção
Seguro a tua mão e o universo completa-se como prova de ligação entre nós

José Gomes Ferreira

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publicado às 19:38

Manhã de Outono

por José, em 23.09.23

Viajo pela manhã por entre vinhas e olival
A brisa é suave e o Sol chega ainda de raspão
O azul do céu não esconde as nuvens
A harmonia heterogénea dos socalos prevalece
Ao longe escutam-se viaturas a circular
O canto dos pássaros e dos insectos é extasiante
Tem lagartixas a bronzear o corpo sobre as pedras
Um manto denso de neblina cobre o rio
Lembra um lençol branco a proteger as águas
A Serra está na figura, mas não se vê, espreita para aparecer
Entre a mata e o paraíso espraiam-se as carreiras de videiras
O Outono apressa as vindimas e as cores
As folhas são agora bordados coloridos com os cachos de premeio
Assisto ao corte das uvas para as vasilhas
Junto-as num poceiro e carrego-as para o caminho principal
Subo e desço pequenas escadas e rampas
Marco a minha passagem no restolho
Esmago na passagem torrões e ervas secas
Chamam-me para apanhar os bagos e aproveitar as conversas
Compareço junto de mulheres de idade
A roupa escura que cobre o corpo destaca-se no sorriso do instante
Algumas cantam, outras aproveitam para falar da vida
Prossigo e junto histórias vividas de que faço parte

José Gomes Ferreira

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publicado às 11:44

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