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Pensar

por José, em 31.08.23

Penso a 100 à hora
Levo a vida a pensar
Penso sem demora
Onde o caminho me vai levar

Penso no mundo
Imagino o amor encantado
Penso cada segundo
Viajo para todo lado

Penso também no planeta
E nas pessoas da memória
Por vezes uso papel e caneta
E conto a minha própria história

Penso em tudo o que brilha
E nas soluções para avançar
Pois não sendo uma maravilha
O melhor pensamento é esperançar

José Gomes Ferreira

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publicado às 07:57

Chão de areia

por José, em 30.08.23

Tem espelho de água
Reflexo de luz e sentimento
Tem até o retrato
Se a maré não virar espuma
E o dias não forem apenas de travessia
Tem o chão de areia
Com os pés marcados
E listas de corações na praia
Algumas pessoas em movimento
Como felicidade com alicerces
Um grupo menor é cativado pela observação
Deixa que se unam natureza e escolhas
A lembrar o vício pelo belo
E o endereço que nos leva ao paraíso
Se o Sol brilha o rosto atesta
E os calcanhares fogem ao contacto
Se é a chuva que marca são os aromas do mar
E o aroma líquido a balbuciar
A cor também muda na escolha do olhar
E o coração brinda sereno com o universo

José Gomes Ferreira

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publicado às 16:37

Longe, mas perto

por José, em 30.08.23

Dizem que quanto mais longe menos nos importamos com os nossos entes
Dizem muita coisa sem provar o amargo da distância
Sem saberem como sentimos mais o seu envelhecimento milimétrico
Podem mostrar-se insatisfeitos pela necessidade de prontidão
Felizmente ocupam essa posição avançada de socorro
Porém nada sabem das angústias e vontades alheias
Pior é a persistência da reclamação para retirarem vantagem
Tantas vezes as noites são reboliços afectivos
Viagens constantes à incerteza e saudade

José Gomes Ferreira

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publicado às 01:27

Élan dos dias

por José, em 29.08.23

Também eu já mergulhei na obsolescência e na rejeição
Quem amou de verdade sabe as voltas que a vida dá
Também eu cai no conforto das certezas
E na crença de que o caminho era aquele
Arrependimento? Nenhum, voltaria a sentir a mesma dor
Não fui em frente pelo sofrimento que traria
Fui pela convicção de que só se vive e se ama lutando
Quem se arrepende antes de tentar continuará para sempre insatisfeito
Os desapegos não nos realizam
Mas abrir o coração é um dom
Depois nem sempre se corresponde às expectativas
Podemos ainda ficar desapontados no élan dos dias
A felicidade não se escreve numa frase só
Tem noites de espera e noites em que se ama em silêncio
O amor não pode é ser um segredo guardado
É um mistério dividido

José Gomes Ferreira

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publicado às 02:08

Multidão

por José, em 28.08.23

Nunca tive medo das multidões
Apesar da minha predilecção pelo sossego
Tenho medo é da mera repetição
E que se inverta a harmonia orquestrada
Para dar lugar ao desacerto com o nome de criação
Multidão não rima necessariamente com laços
Rima com apertos e solidão
Tenho é medo que se soltem as mãos
E cada um fique sem saber o destino

José Gomes Ferreira

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publicado às 22:06

Pôr-do-sol

por José, em 28.08.23

O Sol recolhe-se aos calabouços
Está a findar por hoje o ceu ciclo
Com a promessa de amanhã voltar
Bem cedo e erguido
Majestoso e paladino de si mesmo
Repleto de luminosidade e efervescência
Como Deus supremo da galáxia
Senhor da vida e do cuidado
Retira-se na sua elegância
Exposto ao encanto e observação
Cheio de reverência e narrativas
Comissionado pela Lua e pelas estrelas
Suas parentes e aias
Familiares da sedução nocturna
Retira-se pela porta grande do horizonte
Para assim reaparecer em outros lugares
Renova-se na humildade de cada regresso

José Gomes Ferreira

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publicado às 21:26

Sentido

por José, em 27.08.23

Deixo o passado de plantão
Com ideias refinadas
Tem solidário e solidão
Com as arestas aparadas

Vivo apenas o presente
Sem esquecer outras perspectivas
Não sou de me fazer valente
Gosto de viver as narrativas

Mesmo o amor que é doido
Faz em nós sempre sentido
Queima como giesta e betoiro
Como ausência em coração partido

José Gomes Ferreira

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publicado às 20:59

Feira do Vinho do Dão

por José, em 26.08.23

Realiza-se em breve em Nelas
A mais importante Feira do Vinho do Dão
Esta é uma das iniciativas mais belas
E que na dificuldade tem mantido a tradição

Nem sempre existe unanimidade
Nos moldes da organização
Num evento que apela à identidade
E se quer pólo de desenvolvimento da região

No meu crer o problema não é a Feira
Que ocupa em Setembro o seu lugar
O problema é que o vinho não nasce na garrafeira
Precisa de uma estratégia para se destacar

Vinho não é apenas o que se vende
É cultura, paisagem e território
Precisa de divulgação junto de quem o encomende
E de se fortalecer além do transitório

O Dão precisa sair fronteiras
Sem nunca perder as características
Não avança com críticas e barreiras
A Feira é dos produtores, não dos artistas

José Gomes Ferreira

* No passado visitei muitas vezes esta Feira, o melhor que existe para provar e comprar bom vinho. Também participei em representação de uma associação que na época ajudei a criar. Nos últimos anos só mesmo à distância de muitos quilómetros.

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publicado às 20:09

Lastro

por José, em 26.08.23

Os dias seguem com o coração a bater
Ainda incluído na escolha dos resistentes
Como chama que não se apaga
E virtude que o rosto compreende
Gostaria de perder os equívocos
E focar-me no futuro dia e noite
Escuto rezas e preces na rua
Romarias às almas e à esperança
Observo sem interferir
O destino tem-se mostrado hesitante
Não fica bem perder a força e o alento
Conto com a reciprocidade e o amor para chegar
Tenho na face o orgulho do silêncio
Mas guardo no peito o afago
A protecção contra dias de tempestade
Guardo também muitas memórias e imagens por onde passei
Cruzo-me com pessoas que formei
Alguns rostos estão mais distantes do caminho
Não lembro de toda a gente
Ainda assim encho-me de felicidade quando me falam
E me reconhecem nas escolhas dos dias comuns

José Gomes Ferreira

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publicado às 17:26

Pela linha fora

por José, em 26.08.23

O Sol bate nas pálpebras
E a luz enche corpo e espírito
Usa o filtro da idade
E a independência de quem observa
Com os olhos bem abertos
E a opção por sentir a natureza
Chega também a fragrância
E o canto despreocupado das cigarras
Seguimos na mesma elegância
Corremos pela linha fora
Colocamos os pés entre travessas
E, por momentos, somos até mais atrevidos
Equilibramos os passos sobre os carris
Sempre atentos à aproximação do comboio
Usamos muito o mesmo atalho
Encurta o vai-e-vem para a escola
Mas é sobretudo um instante de modernidade
E o nosso traço de rebeldia aceite
Não são apenas recordações
E traçados marcados pela presença
É o contemplar da juventude
E a relação entre os participantes e o lugar

José Gomes Ferreira

* Na juventude usávamos a linha do comboio para encurtar caminho, seriam menos uns 500 metros, o que no final do dia era muito, pois eram 4 viagens. Apesar dos 2kms de distância do ciclo preparatório geralmente o almoço era em casa.

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publicado às 12:16

Paz

por José, em 25.08.23

Talvez porque eu serei outra coisa
E que precise de te alcançar
Também te quero muito e necessito de ti
Compreendo que a vida pode não ser só palavras
Tem gritos e sonhos novos para escutar
Jeitos de ser que nem sempre se interpretam
Pensamentos que unem e desunem
Carícias que deixam saudade no tempo
Aromas que completam a brisa do mar
E tentam caminhar por grandes alamedas
Nem sempre sei onde andarás
Posso ficar escondido entre importantes
Quero que guardes um lugar para o meu grande silêncio
No regalar das frases sem perder a razão
Na distância na terra batida dos meus passos
Quero que guardes o abraço entre os pertences
Nos teus olhos bonitos quando ao longe me esperas
Quero que me lembres para além do já vivido

José Gomes Ferreira

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publicado às 23:07

Repetição

por José, em 24.08.23

Levaste o meu sorriso
Brincaste com a minha paixão
E agora como estou liso
É maior a minha insatisfação

Fugiste com as minhas certezas
Roubaste-me a confiança
Andava a descobrir outras naturezas
Não deu nem para estabelecer alianças

Fiquei com a repetição visceral dos dias
Que não mostra o que nos cativa
Esconde do coração belas melodias
Expõe apenas a vontade primitiva

Deixei o que seriam os sonhos
Muito longe da sua concretização
Tenho pensamentos enfadonhos
Engessados na mera repetição

José Gomes Ferreira

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publicado às 23:08

Esse passado nunca mais

por José, em 24.08.23

Chega a ser promíscua a ideia da perfeição do Estado Novo
Exaltam políticos e as suas práticas de exclusão
Exigem retomar esse desígnio
Muitos apoiantes não passaram por isso
Ou acomodaram-se à visão da soberania
Exalto as minhas memórias de experiências vividas
Contudo, não tenho qualquer vontade em regressar ao passado
Foram bons momentos porque era essa a etapa da vida
É no crescimento que se consolidam as raízes
Isso não significa que o quadro geral do país seja atractivo
A década de 1980 foi a que mais me marcou
Pelo desvendar da adolescência
E frenesim da expansão das liberdades e da cultura
Antes disso o que me marcou foram as pessoas
E a pertença agarrada a vínculos
Os tempos anteriores foram de dificuldades e penitência como padrão de civilidade à luz do regime

José Gomes Ferreira

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publicado às 17:08

Incêndios em Portugal

por José, em 24.08.23

Pergunto-me quando vamos sair da rotina técnica e televisiva
Não sei se é para mostrar serviço ou expor necessidades
Usamos e abusamos dos dados sobre o dispositivo de combate
Gostamos igualmente de apimentar com conflitos e abandonos
Não faltam acusações de os bombeiros não estarem "onde precisam estar"
E de hipoteticamente favorecerem uma frente
Corremos atrás da notícia sobre a tragédia da nossa terra
É legítima a inquietação, não fossem os incêndios guerras de audiência
Isto não é política florestal, é um leilão de gastos e protagonismo
O que é mais grave é a urgência em mudar de paradigma
As alterações climáticas estão aí para nos levarem ao limite
Será impossível continuar com medidas sazonais e específicas
É necessário abandonar as capelinhas e construir o futuro

José Gomes Ferreira

* Tem formato de poema, mas é na verdade crónica. 

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publicado às 13:18

Sons do amor

por José, em 24.08.23

Muito nos incomoda a reverberação sonora dos vizinhos em êxtase
O amor incomoda mais aos olhos que aos ouvidos
Tal como incomoda mais aos dogmas que à felicidade
O que realmente deveria incomodar é o som da guerra e da catástrofe
Assim como o som silencioso da pressão e manipulação
O som do prato nos estômagos vazios
A nossa crítica é com base em padrões obcecados por um amor contingente
Que proclama a paz e a fraternidade
Porém a prática condena o abraço sentido
A mini-saia ou o decote transtornados
O amor que aceitamos dos outros é o que menos nos incomode
Não é o do regozijo das relações verdadeiras

José Gomes Ferreira

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publicado às 01:24

Emoção

por José, em 23.08.23

Vou no olhar escolher o encanto
Com a suavidade de quem descobre
Vou devagar para não cair em pranto
É o passo-a-passo de um momento nobre

No mistério lanço um suspiro
Sabendo que pode dar certo
Tem na vida muito momento giro
Desde que o coração esteja aberto

Pouco importa todo percurso
Cada momento é uma celebração
Temos ainda hipótese de recurso
Vamos dar uma oportunidade à emoção

José Gomes Ferreira

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publicado às 11:19

Encruzilhada

por José, em 23.08.23

É no passar dos anos que caminho
E deixo o meu peito em qualquer lugar
Não sinto os ramos e as coroas
A minha crença tem o corte da Lua

Fecho os olhos e o amor flui
Não se castra na saudade
Nem se afoga num rio
Não tem lágrimas esse mistério

Deixo o coração aberto
Espero toda a madrugada um sinal
Escuto as minhas próprias histórias
Recordo o que de bom havia em mim

Mesmo que a vida nos mande embora
Não tem tristeza quando não se desiste da luta
A esperança transforma-nos em soldados
Guerreiros à procura de paz e comunhão

José Gomes Ferreira

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publicado às 00:04

Portugal profundo

por José, em 22.08.23

O calor ressoa a ausência e a solidão
As ruas estão desertas e esquecidas
Não se escuta vivalma
Apenas as badaladas do relógio e um cão
O vento sopra em chamas
Chamam-lhe Suão pela desgraça triunfante
Passa um carro de vez em quando
Interrompe o latido e a elegância das poucas sombras
Os pássaros escondem-se nas oliveiras
O milho sobrante no lameiro não os esquece
A fonte é lembrada para retirar água fresca
Dificilmente alguém se encoraja a enfrentar a torreira da tarde
As moscas andam mortiças e em voos rasantes
Atacam sem apelo nem agrado
Escutam-se os aviões e as sirenes
O fumo visto não muito longe faz adivinhar as labaredas
O tempo corre lento na aflição das catástrofes
O caminho para a velhice também nem sempre é de resignação
Os mais velhos ficam em prostração
Só o retomar dos dias ainda lhe vai trazendo alegria

José Gomes Ferreira

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publicado às 11:48

Afinal, o que é isso de poesia

por José, em 21.08.23

Engana-se quem pensa que a poesia é para seduzir senhoras ou cavalheiros
Tampouco, imagine-se, para dar de frente com as agruras da vida
Não é um consultório de quezílias e choros
Por mais simples que seja um poema é um instantâneo de liberdade
Não é o arroto opinativo sobre a frase
É transe observacional e categórico do autor
É a ilusão do medo raiada em luz
Talvez por isso é silêncio perspicaz
Evita a mera metamorfose do pecado com a narrativa
E esconde-se do encanto meramente argumentativo
Para defecar estão cá os cordeiros
A poesia celebra a luz e a preocupação com a inversão do humanismo
Daí que não exista poesia neutra, incolor e sem aromas
A estética da narrativa é um arranjo comunicacional
Não tem nenhuma intenção de enganar
Nem de quebrar as amarras do coração
Poesia não é fantasia, ainda que o seu principal recurso seja a imaginação

José Gomes Ferreira

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publicado às 22:36

Ir dar um recado

por José, em 21.08.23

Sou do tempo longo da permanência
Em que o trabalho no campo era infindável
E a ambição não nos fazia correr
Éramos unidos no afecto e na expectativa
Pobres nas vestes, ricos na fraternidade
A casa onde nasci recebeu electricidade no meu baptismo
Muitas casas tinham a luz das almas
Bem como o reforço das candeias e da lareira
Havia um tefefone público na aldeia
Estava localizado em uma mercearia
Que avisava quem telefonou e voltaria a ligar mais tarde
Os diálogos de proximidade eram presenciais
Muitas vezes eram as crianças que iam dar o recado
Repeti muitas vezes o que era dito
Em muitas cheguei ao destino sem saber o que ia dizer

José Gomes Ferreira

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publicado às 19:06

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