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A luz de Inverno é mágica
Pinta rostos de poesia
Deixa franjas de beleza na paisagem
Relaxa a corrida do coração
Pela manhã é o orvalho e a geada
Molham o olhar como gotículas de arrepio
Pela tarde o Sol sobe alto
Muda as cores que permanecem por horas
O pôr-do-sol é como amor eterno
Permanece horas e horas a encantar
Fixa-se no horizonte como tela
Como êxtase de gosto e simplicidade
José Gomes Ferreira
Não tem choro nas rotinas
Os próprios lamentos cristalizam com a geada
Pingam com o orvalho que molha as ramas de oliveira
E são esfregados no frio dos dias para serem expostos ao Sol reluzente
As próprias lágrimas são lavadas com sabão azul como memórias de resistência
Não tem choro nas rotinas
O próprio amor é apenas latejante, dá sinal de vida como espinhos de rosas
Adverte e fustiga o embalar passivo da sobrevivência
Está ausente no cortejo das ruas e mutações
Sem nunca deixar de revelar os sinais de que pode acontecer
Não tem choro nas rotinas
A própria saudade é temperada com um cumprimento
O impulso que aperta a mão beija o rosto
O gosto por um café tempera um brinde de reencontro
José Gomes Ferreira
Experimento o amor ao ziguezague
Entrego-me de alma e coração ao que gosto
Fico sem reacção perante a incerteza
Já ignorei as melhores vozes do sentimento
Palavras verdadeiras que pareciam ovação
Já ignorei propostas para deixar o impulso
E ficar-me pela pragmática dos pratos limpos
Ignorei e fui ignorado no lamento da paixão
Chorei pelo deslize dos laços e dos sonhos
Tudo faz parte da vida quando a alma se movimenta
Sempre pedi um amor sereno e um quotidiano sem tensões
Certo é que a execução dos dias gera todo tipo de interjeições
Não existe qualquer motivo para arrependimento
Não chegar à fragrância dos dias significa que o melhor está para vir
Um dia chegará o batimento certo
E o encanto que dará paladar fixante ao jasmim
Podemos andar em ziguezague
Não perdemos com isso o nosso rumo
José Gomes Ferreira
O longo pôr-do-sol de Inverno é ele mesmo o poema.

Senhor das Intempéries traz paz, saúde e conforto
Traz paixão e pouco estrago
Afaste de nós a instabilidade e a inflação
Tem amor para dar e esperança para cada coração
Senhor das Intempéries somos teus servos e o teu pecado
Pede mudança sem impores sacrifícios
Não forces a escancarar os nossos sonhos
Senhor das Intempéries afasta os maus pressentimentos
Enche de felicidade os dias e de glória as histórias
Lembra-te do dom das famílias para agregar
José Gomes Ferreira
Escutei muitas histórias
Vivi muita aventura
Visitei castelos e construi sonhos
Armamei-me cavaleiro
Usei a gana e a paixão
Larguei a serra e o rio
Atravessei oceanos
Segui a crença no sentimento
E a empatia que julgava realizada
Agora paro para escolher os passos
Dou corda ao coração
Agora questiono-me
E tenho vontade de novos desafios
Não tem dias que regressem
Nem braços que mostrem as caras
O amor é a chama do movimento
A coragem é o motor da mudança
Agora sigo na expectativa
Como águia que voa em protecção
Agora quero planar sobre o universo
Harmonia e paz fazem parte do léxico
E são a escusa de muita inquietação
José Gomes Ferreira
A paisagem é a renovação da alma
A amizade é a renovação da fraternidade e da força
O amor é a renovação dos sonhos e afectos
As viagens são a renovação do espírito
A fé a renovação das incertezas
A saúde é a permanência da vida
Renovados com dimensões transversais
Seguimos impulsos para catapultar grandes mudanças
Andamos a seguir lideranças e a esquecer o vento
O vento renova a pele do rosto e o brilho do olhar
O abraço activa a emoção e o bater do coração
O Sol mostra o encanto que nos rodeia
As estrelas são o movimento e a quietude
As conquistas são energia
As memórias são a base das ideias
As ideias são o combústível para a transformação
José Gomes Ferreira
Rezam pelos pecados e reservam-se à solidão
Seguem apenas as notícias e o entretenimento
A expectativa é de resignação e fé
Esperam sem surpresa o vento uivante
Como apertos passivos no Inverno frio
As ruas seguem nuas e belas
Sem movimento, como linhas sem locomotivas
Na lembrança do cortejo de sorrisos
As mulheres de negro escondem agora os xailes e não se expõem
O granito marca presença nas memórias
Os pontos de encontro são agora lugares vazios
Gente que não chega por mais prolongada que seja a espera
Os olhos lavam-se de lágrimas pelos ausentes
O coração não é de ferro quando o destino quebra os laços
José Gomes Ferreira
O mundo é mais que uma moribunda inquietação
Uma prece fecunda que se adia
A fé nas horas de grande aflição
Os planetas em posição de orgia
O mundo é muito mais que centralidade
Um vai e vem de disputa
O mundo busca na ciência a verdade
E dá poder aos governos através de uma minuta
O mundo é o nosso acontecimento
O que também gira à nossa volta
É no instante o melhor momento
É o amor puro sem escolta
O mundo é quem faz bater o coração
Nas horas de encanto e prazer
É na espera quem assume uma posição
E não fica à espera de declarar o que fazer
José Gomes Ferreira
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