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Turbilhão

por José, em 31.01.23

São os laços, são as escusas
É o que se pode fazer depois
É a inspiração no corpo das musas
A verdade à frente do carro de bois

A beleza marca as escolhas
E deixa aberta a imaginação
As ideias são o silêncio de velhas
E podem gerar muita tensão

Andamos com os sonos trocados
E com os valores invertidos
Preferimos amigos a namorados
E coligações a bons partidos

Um dia a bomba rebenta
E a sociedade entra em guerra
Teremos de beber água barrenta
E escolher os humanos da Terra

José Gomes Ferreira

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publicado às 14:52

Naquele tempo

por José, em 31.01.23

Naquele tempo os dias corriam lentamente
E as palavras pediam permissão
Quando não eram ordens para se realizar uma tarefa
Os rios escolhiam o abraço das ribeiras
No serpentear dos pinhais que favoreciam as margens
Naquele tempo a escola era um universo deslumbrante
No desenho das letras os professores completavam a disciplina
No recreio testávamos o tímido atrevimento
Os dias pareciam movimentos da brisa rupestre
Com vozes escondidas nos alpendres a falar às andorinhas
Avós à nossa espera para engasgar a leitura numa carta chegada de França
E as ruas graníticas recebidas por rebanhos de ovelhas
Naquele tempo as mulheres lavavam a roupa no tanque
E as crianças estendiam as peças sobre os muros
Imitando as brincadeiras que lhe fugiam à idade
Naquele tempo felicidade significava pão e amparo

José Gomes Ferreira

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publicado às 10:57

Rio

por José, em 30.01.23

O rio não leva apenas água na corrente
Leva energia para gerar
Leva pão para muita gente
E muitas vidas para organizar

O rio não se mexe apenas levemente
Arrasta poluição e bens
E assume corpo de serpente
Quando lhe pedem três vinténs

O rio não é apenas barreira
É motivo de grande beleza
E o facto de ser fronteira
Permite espalhar mais beleza

José Gomes Ferreira

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publicado às 09:56

Laços

por José, em 29.01.23

Os laços de sangue são uma prisão visceral
A amizade acompanha a vontade do universo
E une o credo à reciprocidade continua
Não adianta idolatrar a monogamia parental
Se não se cumpre a sequência dos genes
E o destino do que realmente nos acolhe
Os amigos são quem nos leva em ombros se necessário
São as estrelas com a luz que indica o caminho
Tudo mais são códigos e condutas sociais
Narrativas sobranceiras sobre a inversão do impulso
E sobre os padrões que tanto guiam como reprimem

José Gomes Ferreira

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publicado às 20:43

Conveniência

por José, em 28.01.23

Estou longe de ser perfeito e justo
Ainda que essa seja uma busca diária
Que necessita ver a luz do dia na reciprocidade
E no diálogo pastoso de quem quer chegar a acordo
Entristece-me a falsa justiça da emergência atemporal
Dá ideia de que a vida somente custa a quem repete a narrativa
E que quem partiu tem o futuro resolvido
Estranho a arrogância de quem não agradece
E acha que não fizemos mais que a nossa obrigação
Aqui se colocando geralmente os mais próximos
A família é a principal utopia de concórdia
Quantas vezes os nossos não são quem deixa proliferar desdém e pesar
As soluções constroem-se tendo em conta problemas e necessidades comuns
Não por mera conveniência dos atropelos

José Gomes Ferreira

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publicado às 16:02

Chamem as andorinhas

por José, em 28.01.23

Chamem as andorinhas, tragam paz e esperança
Pintem o céu de azul e o horizonte de liberdade
Encham os beirais de nascimentos e vida
Sintam a alegria do reencontro e do deslizar das poucas nuvens
Chamem as andorinhas, tragam o rosto da Primavera
O brilho que estabelece a felicidade e fortalece
O florir dos jardins e a varredura das ruas
Chamem as andorinhas, tragam fruição e boas energias
Sintam o calor a deixar para trás a letargia
E o cumprimento a não ter medo das observações
Chamem as andorinhas, tragam sentimento
E não coloquem mais barreiras ao amor

José Gomes Ferreira

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publicado às 14:04

Baile

por José, em 27.01.23

Se fosse um baile haveria comida
E os corações seriam capazes de sorrir
A música seria do bater do sangue nos auriculares
E os gestos seriam para escolher as mãos no rodear dos corpos
Os passos de dança seriam simples e tocados de movimentos no solo
O olhar seria permitido pelo encanto das melodias
E pela sedução das estrelas no aproximar das virtudes
Se fosse um baile haveria ondas do mar
E jangadas com a luz dos pescadores a cruzar a esperança
A ternura estaria na espera nas mulheres
E no pão de cada dia ganho no resultado da faina
Se fosse um baile haveria amor
E pouco importaria o bisbilhotar dos mirones
O sentimento iria se sobrepor à fantasia dos desalinhados
Se fosse um baile haveria a vitória da comunidade
E a festa seria para celebrar a fraternidade e o convívio

José Gomes Ferreira

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publicado às 21:19

Gostos simples

por José, em 27.01.23

Gosto dos sorrisos de inverno
Têm o calor que falta à emoção
São ganhos que derrerem os campos de geada
Vozes que se soltam apesar dos cristais
Gosto de gente que sonha
Sem ter de expor a melancolia
E muito menos a soberna da experiência
Gosto dos pontos nos is
Um cálice de Porto por amizade
Sem calcular o subsídio ou o interesse
Gosto do ventre nutrido da terra
E do aroma pendular a chamar a fartura
Gosto do amor repleto de beijos e ternura
Do paladar das manhãs com o aroma conjunto
E da simplicidade do sonho de oportunidade
Gosto do silêncio da floresta
E da interrupção da constância notória
Dos corpos nus rebolados na intimidade
E do horizonte sem fim a acompanhar a esperança

José Gomes Ferreira

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publicado às 14:56

Um palco para o povo

por José, em 27.01.23

Dão-nos murros no estômago
Fazem convites para que se abandone o país
São peritos em sapatadas, multas e vigilância
Deixam os mais vulneráveis ao abandono
Temos estradas que são crateras
O acesso à saúde e educação é penitência
A lembrança dos eleitores dá-se no momento do voto
Andamos a inverter a cidadania por culpa das prioridades e da corrupção
Pedem sacrifícios ao povo, mas são bajuladores e requintados
Os luxos não se coadunam com a fé
A fé é de cada um, a despesa é pública
A glória é para os bons gestores, heróis míticos escondidos na história
Os políticos apenas querem protagonismo e votos
O estado é laico, o dinheiro é uma benção para a cobiça

José Gomes Ferreira

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publicado às 13:16

Salvem os Yanomami

por José, em 26.01.23

Lá no Norte o mercúrio substitui o alimento
E a fome não enche barriga
O garimpo atravessa as aldeias
E a saúde das populações é esquecida
Lá no Norte contaminam-se os povos da floresta
E o mundo assiste ao regozijo do capital e do ódio
Homens, mulheres e crianças tombam com a força do massacre
E ao silêncio da invasão que consome as terras
Que arrasta o mato na destruição e mistura as águas com veneno
O homem branco acena com o progresso
Mas lá no Norte só a morte progride e nem se fala na exploração
Lá no Norte o amor ancestral chora o fim da civilização
E a política escolhe narrativas para esconder as lágrimas
Lá no Norte tem gente, povos de sangue nas veias que misturam natureza e dignidade
Os Yanomami merecem a nossa atenção

José Gomes Ferreira

*este Norte é a região Norte do Brasil 

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publicado às 10:13

Recorte

por José, em 25.01.23

O vento gélido de Norte abana as laranjeiras
Sacode as convicções e deixa na pele um frisado cortante
Como gume que separa as intenções da elegância da saudade
Ao Sol o rosto brilha como figuras públicas
Ressalta as tonalidades e os anos que foram de juventude
À sombra até o cabelo inverte o movimento e o nariz pinga sem vergonha
Nos caminhos os grãos de areia marcam os passos
O som estridente do contacto alerta a natureza
Fora disso não se escuta vivalma nos campos
O único ruído é das cores fortes da estação
Do bailado entre os tons carregados de azul e verde do céu e da terra
Apenas pequenos pássaros sobrevoam o horizonte e depenicam o solo
Na horta escondem-se lagartas e caracóis
Deixam a sua assinatura nos vegetais e no prejuízo
Nas ruas as conversas são mais curtas, não vá o frio paralisar as palavras
Quem bate forte é o coração, aguarda sempre noticias, mesmo sem definição de remetente
A paz da aldeia acomoda-nos ao ciclo da vida
É a atracção do lugar pela busca de paz e observação do infinito

José Gomes Ferreira

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publicado às 09:58

Distância

por José, em 24.01.23

A distância dá corpo à memória e à saudade

Estimula a imaginação a recriar a felicidade 

A percorrer sonhos e meta-universos

A distância é também uma descida ao subsolo

Vamos ao fundo do poço quando o abraço é uma miragem

Vamos ao fundo do argumento quando precisamos de beber água da nascente

A distância pode ser o caminho da lucidez

É também aquele em que o coração bate mais forte à procura de saídas

Distantes trazemos a infância no peito, tal a presença das nossas vivências 

Distantes secamos as lágrimas no choro que conforto 

Distância é saber, força e aprendizagem 

É saber sobretudo no valor que aprendemos a dar às coisas e às pessoas 

 

José Gomes Ferreira

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publicado às 22:48

De caras

por José, em 23.01.23

Que caminho é este que não tem saída
Que luz é esta que não tem brilho
Caminhar amarga no jeito da partida
Brilhar reflecte o encanto dos pais pelo filho

Anda tudo tão mudado
Nos padrões que a vida tinha
Antes sacrifício era fado
Agora o comboio não circula na linha

Só o amor resolve a crise da existência
O amor, a poesia e a esperança
Salva-nos também a ciência
Livram-nos de tanta falta de confiança

José Gomes Ferreira

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publicado às 23:24

Luz

por José, em 23.01.23

Tenho um sonho contigo
Uma vida para viver
O despertar em silêncio
A voz pura do coração

Tenho tudo para te dizer
Sobre a sorte e o enlance
Como ser feliz em sentido
E deixar os dias acontecerem

Tenho tanto para dar
Noite e dia sem esquecer
De ti espero paixão
A luz que ilumina o ser

Tenho tanto de saudade
Que o corpo não tem frio
Enrola o peito ao sentimento
Vê ao longe as ondas do mar

José Gomes Ferreira

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publicado às 22:48

Amor liberto

por José, em 22.01.23

Amor farrapo
Amor vendido
Amor de sapo
Amor perdido

Salta de cama em cama
Vive de promessas
Julga até que ama
Vê o sentimento às avessas

Amor para mostrar
Paixão para viver
Motor para acelerar
Necessidade de sobreviver

Amor eterno
Utopia de relação
Calor em pleno Inverno
Conforto como emoção

José Gomes Ferreira

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publicado às 22:08

Trilhos

por José, em 22.01.23

Percorro caminhos e espaços vazios
Terrenos cobertos de mato e ausências
Gravo o som dos meus próprios passos
As imagens fracturantes pouco importam
É o compasso que fica na eloquência
Percorro as minhas próprias vivências
Locais por onde me fiz cúmplice
Horizontes outrora de vista cheia
Agora apenas vejo cortados os contornos
O rosto da natureza sobre o meu semblante
O coração continua a bater de sentimento
E pela saudade das promessas da imaginação
Os trilhos marcam alguns rodados

José Gomes Ferreira

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publicado às 14:40

Éramos felizes

por José, em 21.01.23

Éramos felizes nas brincadeiras
E com o pão a sair do forno
A gastar os sapatos no empurrar da corrica
A provar a broa quente mal entrava em casa
Éramos felizes a britar os pinhões caídos das pinhas mansas
E a subir às oliveiras para apanhar a azeitona
Éramos felizes na aprendizagem e na simplicidade
A pureza definia a descoberta das relações
A humildade resultava do trabalho e do respeito
A imaginação e a amizade marcavam os laços
Eram o grande motivo para reinventar a felicidade
Éramos felizes sem disputas de maior
Os dias de trabalho eram duros, mas não faltava tempo para o sonho e divertimento
É certo que as condições para estudar e estar motivados eram mínimas
A nossa ambição não fugia do campo de milho ou da eira
O nosso mundo era do tamanho que a vista alcançava

José Gomes Ferreira

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publicado às 22:22

Passos para reformar o mundo

por José, em 21.01.23

Escrevo em formato "água da fonte", mas o sentimento e posicionamento são idênticos. Pelo interior, igualmente o interior da existência e escuta do silêncio, tenho mantido alguns diálogos sobre a ruptura e o destino, isto é, sobre a crise civilizacional, com uma profunda crise de confiança Estado-sociedade e na própria confiança interpessoal. São conversas de circunstância, que também fazem falta. As redes sociais transformaram-se um escotilha, a lembrar o panótico de Bentham, em que as pessoas estão mais interessadas na expiação da vida alheia que na exposição de pontos de vista.

Não chegamos a conclusões, apenas que a principal corrosão tem visibilidade na política e na economia. O dinheiro compra tudo. Mas nem sempre é a riqueza que comanda, pode ser a falsa ideia do prestígio de determinada posição social. A crise geracional é também uma crise das instituições que outrora davam encaminhamento moral. É obviamente um contributo para a vitória do individualismo e da tentação do ego. Sem amor e sem instituições de suporte é o salve-se quem poder.

Não sendo debates enquadrados não chegam a ser diagnósticos e não trazem ideias com soluções milagrosas. Na verdade não existe soluções milagrosas, não se trata de carregar no botão e resolver tudo. Também não adianta dizer que antes é que era bom. Camuflar liberdade com obediência é chamar felicidade à pobreza.

Precisamos recuperar essa confiança perdida e trabalhar a cidadania e os vínculos institucionais. A fraternidade é estimulada na tragédia, mas depois ganha a indiferença. É necessário gerar confiança dinâmica. A poesia, a cultura de forma geral e o desporto associativo são bases para reforçar a pertença. A identidade local é o apelo ao coração, temos a base, é necessário aproveitar tudo e alargar essa dinâmica a uma visão de território e de desenvolvimento. Para tal é igualmente importante entender o que é território, que não é de todo o mapa administrativo, mas sim as pessoas na integração histórica, económica, social, climática e condições naturais características.

É um debate para continuar, em parte como aprofundamento académico e em parte como responsabilidade social e gosto pessoal. Não é um momento propício na ligação profissional, que me momento é voluntária e preciso ganhar a vida, mas é difícil ficar indiferente ao descambar sem participar no equacionar de caminhos.

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publicado às 18:53

Comoção

por José, em 21.01.23

Não se trata apenas de trilho e obra do destino
É emoção, reacção e crença
Nos anos percorridos chorei muito pelas perdas
Mesmo que por vezes escolha a alegria de contemplar o horizonte
Ainda hoje o meu coração bate com falhas a deflagrar partidas forçadas
Incrédulo com a aceitação da subida das almas
E a espreitar a resignação da força do ciclo da vida
Talvez esse seja o traço que mais marca o meu silêncio e reforça a beleza que é manter viva a memória
Sem esquecer a interrupção da interacção e pertença
Mas reforçando as raízes e fundamento dos vínculos
Também já chorei pelas ausências
Senti a distância dos afectos e laços
Deixei cair lágrimas de saudade
Quis abraçar e apenas mantinha a força
Quis admirar o bem que me faz o contacto directo e apenas tinha imagens
Chorei a rir e a lembrar
Como rua e valeta unidas
A chamar a felicidade e a manter do sonho a miragem
Senti igualmente a dor das rupturas
Vinda da aceitação de erros e decisões
Sem direito a adeus
Apenas com permissão para cada um continuar o seu caminho
Hoje também me comovo com a incerteza
Certo de que sem história, sem luta e sem amor somos invisíveis

José Gomes Ferreira

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publicado às 10:16

Altivez

por José, em 20.01.23

Para quê tanto embaraço
E tanto que fica por dizer
No jogo do gato e do rato
O que se oculta perde-se em prazer

O orgulho é obstáculo
Para quê tanta gente de trombas
Se empatia gera empatia
E uma simples salva gera felicidade

Viver em revolta não é solução
A fraternidade é mais do que um anúncio
Não custa nada ser amigo na escolha
E deixar para trás a altivez que atrapalha

José Gomes Ferreira

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publicado às 22:34

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