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Sistemática

por José, em 31.12.22

Não sei qual a tua sistemática
Qual a razão da tua paixão
O meu coração não é uma máquina
O meu pensamento gosta de emoção

Não sei qual o teu caminho
Nem qual o teu entendimento
A minha barriga gosta de friozinho
Eu gosto do calor do sentimento

Não conheço a tua noção de beleza
Nem o teu padrão de bondade
Na vida podemos não ter a certeza
Não podemos é perder a dignidade

José Gomes Ferreira

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publicado às 14:21

Saídas e entradas

por José, em 31.12.22

O Novo Ano é cada vez mais calendário
E marcas no ano civil
Sobe o custo de vida e brindamos de felicidade
É cada vez menos renovação da luz
E chama do espírito colectivo
Saídas e entradas não são apenas foguetes
É sobretudo a força simbólica da comunidade
O reviver para se ser mais forte e unido
O Novo Ano deve representar novos caminhos
Mais abraços e balanço da memória
Não é apenas orçamento e fecho de contas
O Novo Ano deve ser vigor e comunhão

José Gomes Ferreira

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publicado às 14:20

Conta gotas

por José, em 30.12.22

O beirão chega com o amor a conta gotas
Pensativo a expor a emoção
Traumatiza até o vencedor
Aquele cujos benefícios não têm perdão
O beirão é fechado
Escorregadio como o granito
Fiel e honesto, mas ausente no coração
Vale o agregado e a pertença
O caminho-de-ferro a marcar a paisagem
O horizonte a pintar a memória
A aldeia é a escolha conjunta
A vida recíproca em comunidade
O beirão é retraído no amor
E no que deve expor do sentimento
A aldeia é toda ela tradição
E laços que se deixam perder de vista

José Gomes Ferreira

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publicado às 17:20

Diários

por José, em 30.12.22

O vento troça uivante e gelado de intenção
A chuva chega miudinha, a sacudir os tempos de seca
O céu apresenta-se em tons montanha e pintura de Inverno
Não tenho calcorreado os caminhos
Sigo apenas a calçada de algumas ruas
Remexi parte da terra no quintal
Usar de novo a enxada relembra de onde vim
Guardo as principais horas para a ciência
A motivação vem da necessidade
Parecem esquecidas as minhas virtudes
De tão omitidas as minhas razões
Dou apoio ao optimismo quando me escuto
Mesmo que não dê espaço ao esquecimento
Gostaria de ser recebido sem termo de opção
Não me coloco como prioridade ou alternativa
Quero somente ter a percepção de igual
É assim que mais aplaudo a felicidade
Não tem sorriso genuíno no uso do lamento
Nem quando nos sentimos a representar papéis
Não sou dado a agir para cativar o atenção
Prefiro o agrado decorrente da sequência e dedicação

José Gomes Ferreira

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publicado às 03:24

Abrigo

por José, em 29.12.22

Disseram-me que o amor era confidência

O aperto na barriga e a escolha do coração

O rosto corado e as mãos trêmulas

Disseram-me que o amor é a oportunidade da vida

A chuva que não molha quando se gosta

O encanto que nos leva a correr mundo

Disseŕam-me quase tudo sobre o sentimento

E sobre o prazer despertado na ovação

Omitiram o amor para além dos relacionamentos

A honra e a gratidão dos laços

Pouco disseram sobre o princípio da convergência

E sobre o abrigo que nos acolhe a todas as horas

Nada disseram sobre o valor da reciprocidade

E sobre a felicidade construída na pertença

 

José Gomes Ferreira

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publicado às 18:33

Entretenimento

por José, em 29.12.22
Andam a enxovalhar o entretenimento 

As televisões andam a expor dramas

A despir vidas dolorosas e imprevistas

A narrar lágrimas com voz melada

A dar os ossos em nervo

Andam a fazer-nos acreditar na verdade

A construir ídolos e seres sofredores

Como rosas vermelhas com aroma

Andam a apontar para o coração

Só não mostram limites e senso

Estamos a ficar adormecidos

Aceitamos a tragédia como normal

Quando o entretenimento é o respeito

É a exaltação da cultura que resta

E a envolvência da gente com o suspiro do gosto



José Gomes Ferreira

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publicado às 17:25

Tempero

por José, em 29.12.22

O amor é o tempero da vida

A dança de charme e encanto

A reprodução de factos

E o prolongamento dos genes

O Sol é o tempero do corpo

Multiplicado de luz e água

Motivado pelo calor

E pela diversidade de seres

A estima é o tempero das relações

Reforça laços e padrões de fraternidade

É a escolha de quem é feliz na dádiva

E se completa na reciprocidade

 

José Gomes Ferreira

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publicado às 11:56

Relógio da aldeia

por José, em 28.12.22

O sino marca as horas

Como compasso da eloquência

E o gosto da continuidade dos dias

Marca também o regresso ao passado

Ao ritmo longo da hora e curto dos 30 minutos

Marca a ida para o campo e o tempo de almoço

O sino marca a trajectória

E desenha os cantos da aldeia

Salta de rua em rua

Vai de casa em casa em casa

O sino marca as horas

E o movimento repete-se

Anda gente na labuta

Os velhos estão no Centro de Dia

Todos escutam o sino e as horas

Como mensagem que escolhe ficar

 

José Gomes Ferreira

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publicado às 17:23

Lugares d'a gente

por José, em 28.12.22

Os lugares são gente
Alma vertida
Coração aberto
E vida que pulsa

Os lugares são prata
Brilho intenso que reluz
São ouro e riqueza
Formosura e latência

Os lugares são vida
Identidade e aroma
Abraço de comunhão
Espelho de rostos

Os lugares são amor
Memórias de perto
Sentir distante em paz
E intenso reencontro

José Gomes Ferreira

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publicado às 14:24

Abraço antes da partida

por José, em 27.12.22

Não bato mais no aparato

Deixo-me solto como água a correr na fonte

Como vento que traça o pingo do nariz

E avisa da nomenclatura do Inverno

Não bato mais na incerteza

O coração mostra que pode parar

E as locomotivas não mostram o futuro

Andam rostos escondidos

Palavras ditas em febre de interesse

Necessito recolocar as diagonais

Não bato mais no sentimento

A sensibilidade é a carícia dos descrentes

Tudo mais são padrões invertidos em caminhos

O impulso chama nas ruas vazias

Não precisamos correr

Ficamos para trás se o sangue escorrer

Se não for bombeado nos arraiais

Tudo mais o que importa é a paz que chega

A felicidade não é o lar da posse

É a escolha que destaca o abraço antes da partida

 

José Gomes Ferreira

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publicado às 18:05

Gorgulho

por José, em 27.12.22

O orgulho é como o gorgulho da vida
Deixa-nos inchados com a motivação
Supostamente aptos a enfrentar outros egos
Mas como diz o povo não dá pão a ninguém
A felicidade vem da reciprocidade
Não de posições auto-centradas
Não existe liberdade na disputa
Nem na intenção com interesse

José Gomes Ferreira *

 

*Coincidências à parte quanto ao nome, refere-se ao sociólogo, professor à espera de novas oportunidades, poeta da indefinição e retrato e instantes.

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publicado às 18:00

Na carne

por José, em 27.12.22

Alma é carne escolhida para aconchegar a liberdade, não é mero desejo revelado e escolhido no instante. Carne é a forma de querer, o impulso do sentir na hora sem exactidão, pode ser quando as circunstâncias nos chamarem. Carne é também a sensibilidade do toque, das carícias e do gosto da troca. Não sem antes de sentir o gélido reprimir dos padrões e da expressão do clima. Anda a inventar parapeitos para se distorcer parte do corpo, como pontos de miragem dos dias e da troca. Na carne é também sentir na pele sucessos e insucessos, injustiças e saltos do destino. Haverá em nós sempre um castigo lançado pela cobiça, precisamos saltar com o olhar e lançar a esperança no próprio arrepio. A luta não é a catarse da espera, esse é o amor que espera sempre retorno. A imaginação é que nos leva para a narrativa e para a felicidade. A imaginação e a memória. Esse binómio de gente e vivências, por vezes não vividas, mas que podem ser contadas pois são episódios dentro da troca de lamentos e sorrisos espontâneos.

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publicado às 17:44


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